Quarta , 21 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Jorge Portugal
 

Mquina de fazer democracia

“Máquina de fazer democracia”

O título acima era a maneira precisa com que Anísio Teixeira conceituava a escola pública de qualidade.A ela dedicou sua vida, pensamento e ação e chegou a materializar esse ideal nas formas de concreto da Escola Parque.Exatamente no dia 21 de Setembro “o sonho de Anísio” completou 60 anos.A Escola era um espaço construído de modo a integrar os saberes e ações que permitiriam ao estudante uma formação completa, interdisciplinar, que conjugava os conteúdos clássicos do currículo escolar com a arte, a ciência, a cultura física, as aptidões manuais, enfim, um centro de exploração e estímulo da potencialidade humana em grau maior.Imagine o ser humano que sairia preparado por essa escola! E tudo isso durante um dia inteiro de estudos, recreação e criatividade.

A Escola Parque era um modelo a ser replicado, desde a fundação do seu protótipo, ao decorrer dos anos, por todo o país.Não preciso lembrar que isso não aconteceu.Governo após governo, nenhum teve a coragem de concretizar o sonho de Anísio.

Na década de 80 do século passado, no Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro, durante o governo de Leonel Brizola, decidiu resgatar o pensamento anisiano, materializado em escolas.Criou os CIEPS, colégios de tempo integral, onde os estudantes pobres do estado chegavam pela manhã, tinham aulas do currículo regular, almoçavam, e à tarde entregavam-se a atividades físicas ou artísticas, voltando mais tarde para casa , após um banho e a última refeição.

Sucesso retumbante.Na época, eu morava no Rio e pude ser testemunha da euforia da população de baixa renda por tamanho presente que ganhava, em forma de política pública.

O resto do Brasil fez um criminoso silêncio a uma iniciativa que, replicada país a fora, poderia nos ajudar, no presente, a contar a História de outra maneira.

Imaginem agora se não tivéssemos parado de construir Escolas-Parque desde 1950, se o sonho de Anísio tivesse contaminado o país de norte a sul, desde lá até aqui.Seríamos hoje, no mínimo, o “Japão da América Latina” e eu nem precisaria escrever este artigo.
Estaria usando este espaço para falar da dor da saudade e da falta que me fazem Vivaldo e Saul.

Jorge Portugal

Educador e poeta
E-mail> secretaria@jorgeportugal.com.br

Publicado em 10/10/2010 ás 00:13

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