Terça , 20 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Valci Barreto
 

PROJETO CIDADE BICICLETA

PROJETO CIDADE BICICLETA

 

Valci Barreto

 

 

 

 

O Código Nacional de Transito Brasileiro permite que a bicicleta circule na mesma pista destinada aos carros. Havendo ciclovia no espaço, porém, deve o ciclista andar por ela. Ontem fui assistir a apresentação do projeto CIDADE BICICLETA, no Palácio Rio Branco, em evento comemorativo dos 25 anos da titulação do Pelourinho como Patrimônio da humanidade .

 

A apresentação do Cidade Bicicleta se deu por vídeo publicitário, de curta duração, que apenas mostrou faixas onde seria implantada a ciclovia em Salvador que,  somada a que já temos, alcançaria  180 km. Pelo que o vídeo apresentou é muito pouco. Dir-se-ia que não se pode  fazer tudo de uma só vez. É  verdade. Mas, para nós, que já usamos a bicicleta para muitas atividades, mesmo no centro e enfrentando a brutalidade dos nossos motoristas de carros e motos;e  até mesmo de ciclistas mal educados, terá ela muito pouco significado. Sabemos que é impossível implantar ciclovias em todos os espaços urbanos; que a bicicleta deve ser incorporada e sincronizada com os outros meios de transportes . Assim, em relação às ciclovias o projeto apresentado  é por demais tímido.

 

Porém, devemos comemorar porque, se vier  acompanhada de campanhas educativas para o transito, com mensagens  em favor das bicicletas no transito; que façam os motoristas entenderem que em cima de uma bicicleta está uma vida; de  ações que reduzam a velocidade dos carros em nossas ruas e aplicação das penalidades aos infratores, o tamanho da ciclovia será o menos importante.

 

Educando os nossos motoristas, respeitando eles o direito de pedalar; fazendo-os entender que a rua não é só do carro,  mas dos demais meios de transporte; o resultado será melhor.

 

Com educação e respeito da nossa população nem há necessidade de ciclovia porque motos  , carros e bicicletas podem conviver na mesma pista,  nas mesmas ruas que hoje é agressivamente usada pelos motoristas m os quais não respeitam nem mesmo os os passeios públicos e outros espaços destinados aos pedestres .

 

Não havendo campanhas e punições aos infratores, não é  de duvidar que os motoristas transformem a ciclovia em mais um estacionamento para seus veículos e os pedestres façam dela locais para passeios, reuniões e treinamento de corridas,  como acontece, desde a sua implantação, na da Centenário já tomada, literalmente, por pedestres, academias de corridas e ambulantes, apesar de faixas indicativas de destino exclusivo para bicicletas.O derespeito às regras mínimas de boa convivência no transito são desrespeitadas sistemáticamente. Lamentavelmente, a coisa é generalizada e , sem dúvida, a grande maioria só respeita regras se tiver a certeza de punição ou um soldado armado apontando-lhe uma metralhadora. Este comportamento é que tem que ser mudado. Senão,  assistiremos o que todos os dias constatamos, só para citar um exemplo: na Rua da Argentina, entre a Justiça do Trabalho e a Junta Comercial, há um espaço exclusivo para motos. Pois bem, os motoristas estacionam seus carros em frente às motos, impedindo-as de sair ou de entrar em seu espaço. Alguns motociclistas não conseguem , simplesmente, sair enquanto outros têm que subir em passeio alto , com risco de danificar sua jante , e invadindo o espaço que é do pedestre. De um modo geral, prepostos da Transalvador passam pelo local e nenhuma penalidade aplica aos infratores que têm a conivência de “guardadores de veículos” ; os motociclistas, por sua vez,  não reagem com medo de agressões por parte de alguns motoristas .

 

Houvesse educação, respeito, bicicletas e pedestres  poderiam conviver bem em uma pista como a da Centenário. Porém, cada um se sente com mais direito do que o outro, independente das faixas permissivas ou proibitivas para um ou para outro.

O recado que damos a que nos lê é que, com ou sem ciclovias, com ou sem ciclofaixas, mesmo com este transito agressivo, criminoso até, estamos sempre pedalando por aí.

 

Comemoraremos qualquer ciclovia que for implantada. Se vier  acompanhada de convincentes  campanhas educativas, capazes de mudar a mentalidade em casa, na escola, na igreja, no trabalho a da rua será apenas uma conseqüência. Se assim não for, até nas ciclovias vamos assistir ciclistas também atropelando pedestres e outros ciclistas na própria ciclovia. O mal educado assim o é em casa, na igreja, no carro, moto, bicicleta e  a pé. No carro ele é apenas bem mais perigosos.

 

 

 

 

 

 

Publicado em 09/12/2010 ás 10:56

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