Terça , 20 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Jorge Portugal
 

Livros negros a mancheias.

Livros negros a mancheias.
Notícia extraordinária, dessas que são geralmente escondidas pela mídia nativa: de 2003 até a presente data, já se deu o ingresso de cerca de 400.000 estudantes negros/afrodescendentes no ensino superior do Brasil.Esse número é assombrosamente superior ao de estudantes de mesmo recorte étnico que galgaram a universidade desde 1808(ano de fundação da nossa primeira faculdade) até agora.Respondem pela façanha as políticas de ações afirmativas do governo Lula, o Prouni, e centenas ou milhares de cursinhos sociais e comunitários que se espalham pelo país preparando estudantes negros e pobres para os vestibulares e Enem.Daqui a poucos anos já teremos uma massa crítica suficiente para reclamar novos protagonismos e repor os pontos e as vírgulas da nossa história mal contada.Precisaremos, também, de novas fontes de informação, que recontem essa mesma história do ponto de vista da nossa dor e do nosso valor.
No mês de Novembro – o “Novembro Negro” que criamos – vários livros foram lançados voltados para a temática que nos é cara. Do belíssimo “Imagens da Diáspora” de Goya Lopes e Gustavo Falcón , ao “Candomblé da Bahia” e “Cacimbo” de José de Jesus Barreto, um prazeroso caminho de ficção, ensaio e boa literatura a ser percorrido pelo olhar e pela melhor emoção.
“A cor da pele”, de Almiro Sena e “O Exército na segurança pública”, de Capitão Marinho são dois petardos que podem até ser lidos numa perspectiva de complementariedade.No primeiro livro, Dr. Almiro, em capítulos memoráveis, desmonta, de forma incisiva mas elegante, diversas farsas inventadas pela elite eurodescendente brasileira no intuito de manter o negro sempre à margem de qualquer condição social mais digna.Desde os decretos e leis que praticamente cassavam a cidadania dos ex-escravos no pós-abolição, até o discurso oco de defesa de uma “meritocracia fajuta” quando querem condenar as cotas raciais nos dias de hoje.
Os livros estão aí reclamando leitura.Os próximos precisam vir da pesquisa, da militância e da vivência de outros negros como Mário Nelson, Arani Santana, Vilma Reis, João Jorge, José Raimundo Santana, Fábio Lima, Jorge France...

Jorge Portugal
Educador e Conselheiro Nacional de Políticas Culturais. E-mail> secretaria@jorgeportugal.com.br.









Um médio melhor
No último fim de semana, 3,5 milhões de jovens em todo o país fizeram a prova do Enem.Inscreveram-se, na verdade, 4,6 milhões, mas 27% dos pretendentes sequer tentaram.Esse percentual pode esconder uma tragédia sócio-educacional maior do que suspeitamos, mas volto a isso em outro artigo.

O fato é que o Enem, hoje, é uma grande porta da esperança para a juventude – sobretudo a juventude pobre que estuda na rede pública.Por ele, pode-se conquistar uma bolsa do Prouni, receber o certificado de conclusão do ensino médio, ou garantir uma vaga em alguma universidade pública, federal ou estadual.Nesse âmbito, os 3,5 milhões de jovens disputam cerca de 57.000 nos IES. Uma concorrência de tirar o fôlego!

Ora, nessa sua versão de “mega vestibular nacional” o Enem pode abrir um abismo sem tamanho nas condições sócio-econômicas da juventude brasileira.Seguinte: como um estudante de qualquer estado do país pode concorrer a vaga em qualquer universidade pública da federação, os egressos da rede particular do sudeste, sem dúvida mais bem preparados, fariam uma “reserva de vagas” dos melhores cursos do Brasil, quer estejam eles em São Paulo, na Bahia ou no Ceará; em seguida, os medianos da rede particular e os melhores da rede pública da mesma região ficariam com os cursos menos concorridos, e o restante disputaria a sobra do desinteresse dos demais.Traduzindo: estudantes da rede pública do norte-nordeste, como no plano sócio-econômico geral, ficariam sempre a reboque da locomotiva escolar sul-sudeste.Desigualdades nacionais reproduzidas na educação.Sabendo-se que o nível de informação de um aluno do terceiro ano da rede pública é igual ao de um estudante da oitava série da rede particular, está estabelecido o massacre.

Os governos estaduais – apoiados pelo governo federal – precisam correr.É preciso transformar discursos de palanque em práticas urgentes.Ainda não foi dada uma resposta à altura aos anseios e potencial de uma juventude que pode fazer toda a diferença em um país que começa a crescer 6% ao ano.Sem essa turma informada, qualificada e crítica, não há crescimento que se sustente.Vamos construir um ensino médio melhor.Ideias e experiência não faltam, podem crer.

Jorge Portugal
Educador e compositor
Twitter> @jorgeportugal1








Quem votou em Tiririca?
Assim que as urnas gritaram, gritaram também os editoriais indignados dos jornalões do sudeste e similares denunciando a tragédia eleitoral a macular a alma brasileira.Gritaram ainda acadêmicos de gestos contidos e estudados, senhoras quatrocentonas, defensoras de uma aristocracia social em perigo, “formadores de opinião” cansados de rabiscar caminhos que o povo ignora.A revolta se traduzia em números: Um milhão e trezentos mil votos! Mas... quem teve a coragem de votar em Tiririca? A hipocrisia pergunta e a História responde:

Votou em Tiririca a mentalidade atrasada e tacanha que teima em reduzir o que seria um belo debate político em um bate-boca eleitoral sobre aborto e fé religiosa.O programador de rádio analfabeto musical que, misturando jabá e mau gosto, transforma em retumbante e permanente sucesso nacional sertanejos chorosos e piegas.O “classe-média- ganhador- de- grana” que resume a vida no conforto fajuto de um consumismo degenerado e transmite isso a seus filhos como nova religião familiar.Líderes religiosos de todos os credos que transformam fieis em gado manso, pobres diabos sem alma com medo de demônios e outros exterminadores da razão.Votaram em Tiririca todos os que alimentam um sistema de ensino desconectado do real e da contemporaneidade, que mantém currículos medievais e provocam a juventude a tomar horror à escola e ao conhecimento.As “cabeças brilhantes da mídia” que fazem da TV aberta brasileira um pasto de conteúdos imbecis, com uma programação que transforma, cada vez mais, telespectadores em “abestados”.O arraigado preconceito e indisfarçável racismo da elite brasileira euro-descendente e machista que jamais se conformará com mulheres, nordestinos, negros e não-diplomados ocupando qualquer fatia de poder, por mais tênue e simbólico que seja.

Todos eles podem até não ter depositado o voto na urna na última eleição; mas que votaram, votaram.

Depois de todos esses sufrágios e outros mais que não couberam neste artigo, sobra espaço apenas para a pergunta final: quem, de verdade, neste país, pode ser chamado de palhaço?

Jorge Portugal

Educador e compositor
E-mail> secretaria@jorgeportugal.com.br
 
Livros negros a mancheias.
Notícia extraordinária, dessas que são geralmente escondidas pela mídia nativa: de 2003 até a presente data, já se deu o ingresso de cerca de 400.000 estudantes negros/afrodescendentes no ensino superior do Brasil.Esse número é assombrosamente superior ao de estudantes de mesmo recorte étnico que galgaram a universidade desde 1808(ano de fundação da nossa primeira faculdade) até agora.Respondem pela façanha as políticas de ações afirmativas do governo Lula, o Prouni, e centenas ou milhares de cursinhos sociais e comunitários que se espalham pelo país preparando estudantes negros e pobres para os vestibulares e Enem.Daqui a poucos anos já teremos uma massa crítica suficiente para reclamar novos protagonismos e repor os pontos e as vírgulas da nossa história mal contada.Precisaremos, também, de novas fontes de informação, que recontem essa mesma história do ponto de vista da nossa dor e do nosso valor.
No mês de Novembro – o “Novembro Negro” que criamos – vários livros foram lançados voltados para a temática que nos é cara. Do belíssimo “Imagens da Diáspora” de Goya Lopes e Gustavo Falcón , ao “Candomblé da Bahia” e “Cacimbo” de José de Jesus Barreto, um prazeroso caminho de ficção, ensaio e boa literatura a ser percorrido pelo olhar e pela melhor emoção.
“A cor da pele”, de Almiro Sena e “O Exército na segurança pública”, de Capitão Marinho são dois petardos que podem até ser lidos numa perspectiva de complementariedade.No primeiro livro, Dr. Almiro, em capítulos memoráveis, desmonta, de forma incisiva mas elegante, diversas farsas inventadas pela elite eurodescendente brasileira no intuito de manter o negro sempre à margem de qualquer condição social mais digna.Desde os decretos e leis que praticamente cassavam a cidadania dos ex-escravos no pós-abolição, até o discurso oco de defesa de uma “meritocracia fajuta” quando querem condenar as cotas raciais nos dias de hoje.
Os livros estão aí reclamando leitura.Os próximos precisam vir da pesquisa, da militância e da vivência de outros negros como Mário Nelson, Arani Santana, Vilma Reis, João Jorge, José Raimundo Santana, Fábio Lima, Jorge France...

Jorge Portugal
Educador e Conselheiro Nacional de Políticas Culturais. E-mail> secretaria@jorgeportugal.com.br.









Um médio melhor
No último fim de semana, 3,5 milhões de jovens em todo o país fizeram a prova do Enem.Inscreveram-se, na verdade, 4,6 milhões, mas 27% dos pretendentes sequer tentaram.Esse percentual pode esconder uma tragédia sócio-educacional maior do que suspeitamos, mas volto a isso em outro artigo.

O fato é que o Enem, hoje, é uma grande porta da esperança para a juventude – sobretudo a juventude pobre que estuda na rede pública.Por ele, pode-se conquistar uma bolsa do Prouni, receber o certificado de conclusão do ensino médio, ou garantir uma vaga em alguma universidade pública, federal ou estadual.Nesse âmbito, os 3,5 milhões de jovens disputam cerca de 57.000 nos IES. Uma concorrência de tirar o fôlego!

Ora, nessa sua versão de “mega vestibular nacional” o Enem pode abrir um abismo sem tamanho nas condições sócio-econômicas da juventude brasileira.Seguinte: como um estudante de qualquer estado do país pode concorrer a vaga em qualquer universidade pública da federação, os egressos da rede particular do sudeste, sem dúvida mais bem preparados, fariam uma “reserva de vagas” dos melhores cursos do Brasil, quer estejam eles em São Paulo, na Bahia ou no Ceará; em seguida, os medianos da rede particular e os melhores da rede pública da mesma região ficariam com os cursos menos concorridos, e o restante disputaria a sobra do desinteresse dos demais.Traduzindo: estudantes da rede pública do norte-nordeste, como no plano sócio-econômico geral, ficariam sempre a reboque da locomotiva escolar sul-sudeste.Desigualdades nacionais reproduzidas na educação.Sabendo-se que o nível de informação de um aluno do terceiro ano da rede pública é igual ao de um estudante da oitava série da rede particular, está estabelecido o massacre.

Os governos estaduais – apoiados pelo governo federal – precisam correr.É preciso transformar discursos de palanque em práticas urgentes.Ainda não foi dada uma resposta à altura aos anseios e potencial de uma juventude que pode fazer toda a diferença em um país que começa a crescer 6% ao ano.Sem essa turma informada, qualificada e crítica, não há crescimento que se sustente.Vamos construir um ensino médio melhor.Ideias e experiência não faltam, podem crer.

Jorge Portugal
Educador e compositor
Twitter> @jorgeportugal1








Quem votou em Tiririca?
Assim que as urnas gritaram, gritaram também os editoriais indignados dos jornalões do sudeste e similares denunciando a tragédia eleitoral a macular a alma brasileira.Gritaram ainda acadêmicos de gestos contidos e estudados, senhoras quatrocentonas, defensoras de uma aristocracia social em perigo, “formadores de opinião” cansados de rabiscar caminhos que o povo ignora.A revolta se traduzia em números: Um milhão e trezentos mil votos! Mas... quem teve a coragem de votar em Tiririca? A hipocrisia pergunta e a História responde:

Votou em Tiririca a mentalidade atrasada e tacanha que teima em reduzir o que seria um belo debate político em um bate-boca eleitoral sobre aborto e fé religiosa.O programador de rádio analfabeto musical que, misturando jabá e mau gosto, transforma em retumbante e permanente sucesso nacional sertanejos chorosos e piegas.O “classe-média- ganhador- de- grana” que resume a vida no conforto fajuto de um consumismo degenerado e transmite isso a seus filhos como nova religião familiar.Líderes religiosos de todos os credos que transformam fieis em gado manso, pobres diabos sem alma com medo de demônios e outros exterminadores da razão.Votaram em Tiririca todos os que alimentam um sistema de ensino desconectado do real e da contemporaneidade, que mantém currículos medievais e provocam a juventude a tomar horror à escola e ao conhecimento.As “cabeças brilhantes da mídia” que fazem da TV aberta brasileira um pasto de conteúdos imbecis, com uma programação que transforma, cada vez mais, telespectadores em “abestados”.O arraigado preconceito e indisfarçável racismo da elite brasileira euro-descendente e machista que jamais se conformará com mulheres, nordestinos, negros e não-diplomados ocupando qualquer fatia de poder, por mais tênue e simbólico que seja.

Todos eles podem até não ter depositado o voto na urna na última eleição; mas que votaram, votaram.

Depois de todos esses sufrágios e outros mais que não couberam neste artigo, sobra espaço apenas para a pergunta final: quem, de verdade, neste país, pode ser chamado de palhaço?

Jorge Portugal

Educador e compositor
E-mail> secretaria@jorgeportugal.com.br
 

Livros negros a mancheias.

Notícia extraordinária, dessas que são geralmente escondidas pela mídia nativa: de 2003 até a presente data, já se deu o ingresso de cerca de 400.000 estudantes negros/afrodescendentes no ensino superior do Brasil.Esse número é assombrosamente superior ao de estudantes de mesmo recorte étnico que galgaram a universidade desde 1808(ano de fundação da nossa primeira faculdade) até agora.Respondem pela façanha as políticas de ações afirmativas do governo Lula, o Prouni, e centenas ou milhares de cursinhos sociais e comunitários que se espalham pelo país preparando estudantes negros e pobres para os vestibulares e Enem.Daqui a poucos anos já teremos uma massa crítica suficiente para reclamar novos protagonismos e repor os pontos e as vírgulas da nossa história mal contada.Precisaremos, também, de novas fontes de informação, que recontem essa mesma história do ponto de vista da nossa dor e do nosso valor.
No mês de Novembro – o “Novembro Negro” que criamos – vários livros foram lançados voltados para a temática que nos é cara. Do belíssimo “Imagens da Diáspora” de Goya Lopes e Gustavo Falcón , ao “Candomblé da Bahia” e “Cacimbo” de José de Jesus Barreto, um prazeroso caminho de ficção, ensaio e boa literatura a ser percorrido pelo olhar e pela melhor emoção.
“A cor da pele”, de Almiro Sena e “O Exército na segurança pública”, de Capitão Marinho são dois petardos que podem até ser lidos numa perspectiva de complementariedade.No primeiro livro, Dr. Almiro, em capítulos memoráveis, desmonta, de forma incisiva mas elegante, diversas farsas inventadas pela elite eurodescendente brasileira no intuito de manter o negro sempre à margem de qualquer condição social mais digna.Desde os decretos e leis que praticamente cassavam a cidadania dos ex-escravos no pós-abolição, até o discurso oco de defesa de uma “meritocracia fajuta” quando querem condenar as cotas raciais nos dias de hoje.
Os livros estão aí reclamando leitura.Os próximos precisam vir da pesquisa, da militância e da vivência de outros negros como Mário Nelson, Arani Santana, Vilma Reis, João Jorge, José Raimundo Santana, Fábio Lima, Jorge France...

Jorge Portugal
Educador e Conselheiro Nacional de Políticas Culturais. E-mail> secretaria@jorgeportugal.com.br.









Um médio melhor
No último fim de semana, 3,5 milhões de jovens em todo o país fizeram a prova do Enem.Inscreveram-se, na verdade, 4,6 milhões, mas 27% dos pretendentes sequer tentaram.Esse percentual pode esconder uma tragédia sócio-educacional maior do que suspeitamos, mas volto a isso em outro artigo.

O fato é que o Enem, hoje, é uma grande porta da esperança para a juventude – sobretudo a juventude pobre que estuda na rede pública.Por ele, pode-se conquistar uma bolsa do Prouni, receber o certificado de conclusão do ensino médio, ou garantir uma vaga em alguma universidade pública, federal ou estadual.Nesse âmbito, os 3,5 milhões de jovens disputam cerca de 57.000 nos IES. Uma concorrência de tirar o fôlego!

Ora, nessa sua versão de “mega vestibular nacional” o Enem pode abrir um abismo sem tamanho nas condições sócio-econômicas da juventude brasileira.Seguinte: como um estudante de qualquer estado do país pode concorrer a vaga em qualquer universidade pública da federação, os egressos da rede particular do sudeste, sem dúvida mais bem preparados, fariam uma “reserva de vagas” dos melhores cursos do Brasil, quer estejam eles em São Paulo, na Bahia ou no Ceará; em seguida, os medianos da rede particular e os melhores da rede pública da mesma região ficariam com os cursos menos concorridos, e o restante disputaria a sobra do desinteresse dos demais.Traduzindo: estudantes da rede pública do norte-nordeste, como no plano sócio-econômico geral, ficariam sempre a reboque da locomotiva escolar sul-sudeste.Desigualdades nacionais reproduzidas na educação.Sabendo-se que o nível de informação de um aluno do terceiro ano da rede pública é igual ao de um estudante da oitava série da rede particular, está estabelecido o massacre.

Os governos estaduais – apoiados pelo governo federal – precisam correr.É preciso transformar discursos de palanque em práticas urgentes.Ainda não foi dada uma resposta à altura aos anseios e potencial de uma juventude que pode fazer toda a diferença em um país que começa a crescer 6% ao ano.Sem essa turma informada, qualificada e crítica, não há crescimento que se sustente.Vamos construir um ensino médio melhor.Ideias e experiência não faltam, podem crer.

Jorge Portugal
Educador e compositor
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Quem votou em Tiririca?
Assim que as urnas gritaram, gritaram também os editoriais indignados dos jornalões do sudeste e similares denunciando a tragédia eleitoral a macular a alma brasileira.Gritaram ainda acadêmicos de gestos contidos e estudados, senhoras quatrocentonas, defensoras de uma aristocracia social em perigo, “formadores de opinião” cansados de rabiscar caminhos que o povo ignora.A revolta se traduzia em números: Um milhão e trezentos mil votos! Mas... quem teve a coragem de votar em Tiririca? A hipocrisia pergunta e a História responde:

Votou em Tiririca a mentalidade atrasada e tacanha que teima em reduzir o que seria um belo debate político em um bate-boca eleitoral sobre aborto e fé religiosa.O programador de rádio analfabeto musical que, misturando jabá e mau gosto, transforma em retumbante e permanente sucesso nacional sertanejos chorosos e piegas.O “classe-média- ganhador- de- grana” que resume a vida no conforto fajuto de um consumismo degenerado e transmite isso a seus filhos como nova religião familiar.Líderes religiosos de todos os credos que transformam fieis em gado manso, pobres diabos sem alma com medo de demônios e outros exterminadores da razão.Votaram em Tiririca todos os que alimentam um sistema de ensino desconectado do real e da contemporaneidade, que mantém currículos medievais e provocam a juventude a tomar horror à escola e ao conhecimento.As “cabeças brilhantes da mídia” que fazem da TV aberta brasileira um pasto de conteúdos imbecis, com uma programação que transforma, cada vez mais, telespectadores em “abestados”.O arraigado preconceito e indisfarçável racismo da elite brasileira euro-descendente e machista que jamais se conformará com mulheres, nordestinos, negros e não-diplomados ocupando qualquer fatia de poder, por mais tênue e simbólico que seja.

Todos eles podem até não ter depositado o voto na urna na última eleição; mas que votaram, votaram.

Depois de todos esses sufrágios e outros mais que não couberam neste artigo, sobra espaço apenas para a pergunta final: quem, de verdade, neste país, pode ser chamado de palhaço?

Jorge Portugal

Educador e compositor
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Publicado em 18/12/2010 ás 23:37

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