Quarta , 21 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Átila Santana
 

Átila Santana escreve: E o povo, se emancipou?

Há 73 anos, mais precisamente a 30 de março de 1938, a “Vila de São Francisco da Barra do Sergi do Conde” foi elevada à categoria de cidade, pelo decreto estadual n° 10.724. Contudo, mesmo após a Emancipação Política continuou a se chamar São Francisco da Barra do Sergipe do Conde, mudando a nomenclatura para São Francisco do Conde somente em 1940. Tudo começou com a construção da igreja de São Francisco e Convento de Santo Antônio, em 1629. A partir daí a povoação do “Sítio de São Francisco” (antiga nomenclatura das terras) foi aumentada. Mas a criação da Vila e Município deu-se pela portaria de 27 de novembro de 1697. Logo, o aniversário da cidade é no dia 27 de novembro, quando completaremos 314 anos de fundação, e não 30 de março, como se comemora atualmente. 30 de março é aniversário de Emancipação Política do Município. É diferente. De “Sítio” a cidade são cerca de 500 anos de história.

Mesmo 73 anos depois da emancipação, São Francisco do Conde tem pequenos problemas que a caracterizam como uma Vila. O sistema de abastecimento de água encanada do município é precário. A Embasa não dá solução à constante falta de água, e quem mais sofre são os moradores da periferia e distritos e povoados. As agências bancárias oferecem um péssimo serviço à população. Número de caixas eletrônicos reduzido, faltando dinheiro constantemente, e no caso da Caixa Econômica, nos fins de semana não se pode fazer saque, porque não abre. Durante a semana a população só tem acesso aos caixas eletrônicos até às 17 horas. Depois disso, só nas cidades vizinhas. A agência dos Correios é uma vergonha, ou falta dela (de vergonha). A Viação Sol de Abrantes (VSA), que presta (des) serviço à cidade é uma vergonha. Quem viaja de São Francisco do Conde para Candeias e Camaçari, nos veículos da VSA sabe do que estou falando. São veículos velhos, em péssimo estado de conservação, muita sujeira, e às vezes, até, com mau cheio, além dos horários reduzidos. Viajar de Candeias para São Francisco a noite é dor de cabeça pura. A empresa Expresso Nossa Senhora das Candeias, que também presta (des) serviço à população, é outra que não disse pra que veio. São ônibus em péssimo estado de conservação, com cheiro forte de azedo, mofo, poeira, poltronas gastas pelo tempo, pneus carecas, horários reduzidos. As ferragens das poltronas chega a ralar as costas dos passageiros (eu já passei por isso). Todo fim de semana tem confusão na estação rodoviária de Salvador, por conta das superlotações e da precariedade dos serviços prestados pela Expresso Candeias. Uma falta de respeito. As rodovias que cortam a cidade foram esquecidas pelo Derba, órgão vinculado à secretaria de infra estrutura do Estado. As estradas mais parecem um queijo suíço. Se queijo suíço tem mais buracos que queijo, logo, nossas estradas tem mais buracos que asfalto. E as nossas autoridades parecem que nada enxergam. Como diz o jornalista Boris Casoy, “isso é uma vergonha!”. E por isso o povo precisa se emancipar (isso mesmo, o povo ainda não se emancipou), precisa estar no centro das discussões. Precisa estar no centro das decisões.

Embora São Francisco do Conde esteja passando por transformações, pequenos detalhes, que podem facilitar a vida do cidadão sãofranciscano, ainda não foram mudados. Está tudo como dantes no quartel de Abrantes. São Francisco do Conde passou por um período de cerca de dez anos que nem um metro quadrado de rua era construído. Isso não foi bom. A cidade retomou a rota do crescimento e do desenvolvimento, deixando-nos na esperança de um dia realizarmos o sonho de deixar para trás as lembranças do atraso e do ostracismo. Há muito que ser feito, mas o volume de obras que se vislumbra nos quatro cantos da cidade, é para a população como o oxigênio para os nossos pulmões. Oxalá continue assim.

Átila Santana é Radialista, apresentador dos programa “Do Povo e Para o Povo”, da Rádio São Francisco FM, e Baiana No Ar, da Rádio Baiana FM e Imortal da Academia de Letras e Artes de São Francisco do Conde-Alasfcon.

 

Publicado em 07/04/2011 ás 20:04

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