Terça , 20 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Itana Mangieri
 

Transporte Clandestino

Transporte Clandestino

(Texto: Itana Mangieri)

A preocupação pública de Salvador é com a mobilidade urbana, mas muitos

aspectos que a envolvem estão cada dia mais negligenciados principalmente o

transporte clandestino que se monopolizou no aeroporto “2 de Julho” ou ALEM.

Hoje presenciei como a máfia do transporte coletivo age contra os turistas e o

turismo da Bahia, quando fui recepcionar um grupo de amigos de Belém do

Pará que vieram para a Bahia para realizar uma expedição cicloturística na

Chapada Diamantina. Negociaram, por email e telefonemas por mais de um

mês, com um funcionário de uma empresa de transportes Sta Rosa, sobre o

traslado de van para 14 pessoas e sua bicicletas de Salvador X Lençóis X

Salvador. As referências desta empresa foram indicadas e checadas através

de blogs e sites de turismo. Ao desembarcarem, às 6:30hs, o funcionário

aguardava-os com uma placa em mãos para identificá-los e então iniciou-se os

sucessivos abusos de clandestinidade. O funcionário chamou o responsável

pelo grupo para a lanchonete e informou-lhe que o valor combinado estava

errado e que aguardou a chegada do grupo para renegociar pessoalmente.

Obvio que houveram contestações e pedidos de desculpas e compreensão etc,

etc, etc .... Nisso, outros “profissionais agregados”, que ocupam a área do

desembarque, se aproximam para ouvir a conversa/renegociação e iniciaram

uma rede de contatos telefônicos, com outros agregados, informando detalhes

do destino do grupo e os tipos e quantidade de passageiros e bagagens. Como

o volume de bagagens era grande, entre mochilas e bikes, logo o funcionário

que havia negociado, declarou que na van, não caberiam todos e tudo.

Imediatamente outras propostas, para realizar este traslado começaram a

surgir de vários outros desconhecidos. Em seguida, aproximou-se um senhor,

demoninando-se Laudelino, executivo de empresa de transporte, pela qual foi

sub-locado um micro-ônibus pelo funcionário que negociou o traslado. Micro-

ônibus este que, a cada 20 minutos “estava à caminho”. O zum-zum-zum

formou-se na área de desembarque. Os policiais do módulo, que ocupa espaço

no setor de desembarque, sequer ousaram interessar-se ou participar da

situação.

Um dos integrantes do grupo procurou informações nas agências de turismo do

saguão térreo e conseguiu indicação da Grou Turismo de um motorista que

presta serviços e que poderia, se estivesse disponível, solucionar a questão.

Após contato, este motorista chegou ao aeroporto em 30 minutos com seu

micro-ônibus, negociou um valor semelhante e embarcou os expedicionários,

suas bagagens e bikes para Lençóis/BA. A Van, negociada para já estar

aguardando o grupo, às 6:30 hs, as 10:00 hs, quando seguiram viagem, ainda

não havia chego. Outro absurdo interessante é que, durante as prévias

negociações, não forneceram a minuta do contrato de prestação de serviços.

Na chegada, ao solicitar o contrato, no mesmo constava que as despesas de

pedágios, alimentação e hospedagem do motorista eram de responsabilidade

do grupo.

O transporte clandestino de Salvador, tão divulgado nas ultimas semanas por

causa de uma turista assaltada, não começa nos desembarques do aeroporto

ou rodoviária, mas sim em blogs e sites clandestinos de referência turística que

lhes garantem a atuação “consentida” nestes locais.

Ruas e avenidas paradas e congestionadas, manifestações que bloqueiam o

trânsito, elevador Lacerda quebrado, um aeroporto que é a Casa da Mãe

Joana, metrô fantasma, projetos de mobilidade urbana desenhadas em papel,

quantidade de ônibus que não suprem as necessidades, transporte clandestino

sendo negociado como pacote turístico e ciclovia que ligam nada a lugar

nenhum.

Há 3 anos da Copa ... a Bahia deveria comemorar o Zôo porque o mico vai ser

geral !

 

Publicado em 03/09/2011 ás 14:43

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