Terça , 20 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Valci Barreto
 

AO MEU QUERIDO PIO XII,

AO MEU QUERIDO PIO XII,

 

Relutei, até o momento, para lhe dizer algumas palavras neste dia tão significativo para a nossa história. Ao

seu lado,  como  vizinho, discípulo,  amigo, convivi antes e depois de meu ingresso como seu aluno.

Morando no bairro da  Muritiba, sendo assim seu vizinho, já batia , em seu campinho de terra batida pelos nossos  pés descalços, as saudosas peladas da minha  infância.

Em 1965, não me esqueço, era levado pelo meu pai e recebido com amável sorriso para um teste de admissão, então existente, pelo frei Serafim, seguido mais tarde  pela doçura do frei Mariano de Inhambupe, dos quais guardo grandes saudades.

 

No seu interior, como aluno, vivi um dos mais emocionantes períodos da minha vida. Já fisgado pela leitura que fazia de livros, jornais, revistas em quadrinhos, desde meus tempos da Escola Rural da Casca,  isto se transformou em uma grande paixão que até hoje cultivo, estimulado que fui, juntamente com todos os meus colegas, por todos os professores de então, elegendo como representante deles a  querida professora, Tereza Nery.

Da certeza da Matemática da querida professora Esmeralda, aos questionamentos  políticos , literários  de outros mestres como , Tereza Nery , Carmélia Amaral,  Roquenilda Oliveira,  Eliana Schaun, tenho procurado não me esquecer.

 

É comum associarem conhecimentos aos ganhos econômicos. Ótimo quando os dois se juntam. Neste sentido, nem todos os seus discípulos tiveram resultados iguais. Porém, dos que por aí passaram, inclusive eu, da minha geração, nenhum deixou de receber as mais caras lições, válidas até hoje, e sempre,  do valor que se deve dar à busca de conhecimento ,  Ética e Moral.

Meu caro PIO XII, agradeço tudo que você me deu e me ensinou.

Relutei em escrever-lhe porque o que mais queria era fazer-me presente aos emocionantes festejos do seu Cinquentenário.

Ontem, recebi um telefonema de um dos mais queridos amigos com o qual convivi em suas salas,  Alfredo Cerqueira que, juntamente com José Acurcio, os irmãos Marcelo, Adofo e  Joaquim  Nery Filho,  José Sérvulo, Edvaldo Cerqueira, Moacir Cerqueira, formávamos  um animado e comprometido grupo de apaixonados pelos seus ensinamentos e eternos saudosistas. O telefonema de Alfredo dizia-me que  não poderíamos faltar à sua festa.

Somente agora, nesta manhã de sábado , dia 19.11.2011, quando ainda perduram os festejos dos seus cinquenta aninhos, foi que tive a coragem de lhe dizer que infelizmente não poderei , fisicamente, estar em nossa querida Toca da Onça.

Para minha sorte, aí estarão as pessoas que comigo conviveram em seus corredores, a exemplo de  Alfredo, que comigo instalou , acredito eu ,a primeira biblioteca do Pio, com livros que arrecadamos junto aos alunos e comunidade da nossa terra.

Afastado fisicamente dos seus corredores, em nenhum momento lhe esqueci. E se de algo a memoria tivesse me afastado, teria sido relembrado pelas doces palavras escritas pelo nosso querido Sergio Belezza, na sua autobiografia, Caminhando com Walkiria, e em relatos recentes que li dos nossos queridos, professor Lígio e senhor Ciríaco, os quais falam de você e do  seu nascimento.

Quando, no último São João, fui abordado pela querida  colega da época, hoje sua professora,  Sonia da Guarda, dando conta dos festejos,   tinha  certeza de que a eles não faltaria. Infelizmente, porém, assim não aconteceu. Asseguro-lhe, no entanto, meu querido Pio, que um dos motivos para minha ausência, está relacionado a uma das lições que de você recebi: “estude, não falte às aulas” . É exatamente isto que estou indo fazer agora. Não para justificar a minha ausência, mas para lhe deixar menos zangado  por não estar no dia de hoje, comendo o bolo do seu aniversário.

Estou , neste momento, fazendo mais uma  viagem às suas entranhas e por demais  feliz, apesar de ausente, por saber que  pessoas que sentaram ao meu lado, nas mesmas salas  e cadeiras,  estão ai, daqui a pouco, cantando Parabéns Prá Você, como as minhas queridas  Maria Petáccia e Sonia da Guarda.

Quem sabe, a insistência do Homem  em prologar a sua vida na terra,  não me permita estar no seu Centenário? Você me disse não ser isto impossível.

Não deixei ,nem deixarei de comemorar ,  daqui de onde estou. Por uma destas grandes coincidências, esteve ontem em minha casa, minha querida Mestra , Carmélia Amaral, e passamos mais de uma hora conversando sobre nosso tempo em seus corredors.

Longa vida para você. E receba  o meu mais afetuoso abraço. Elejo,  para me representar, os meus queridos Alfredo Cerqueira, Sergio Belezza, José Acurcio, Sonia da Guarda e Maria Petaccia, que têm em seus corações a ternura que você nos ensinou a cultivar.

Valci

Salvador, 19.11.2011

Publicado em 19/11/2011 ás 14:46

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