Terça , 20 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Itana Mangieri
 

Manifestao sem foco definido


(texto: Itana Mangieri)

Ultimamente as manifestações e reivindicações estão mobilizando grande número de simpatizantes. A bola da vez agora é sobre a construção de camarotes para o carnaval 2012 na Praça de Ondina. Os ânimos estão alterados e o objetivo da reivindicação é válido mas está claro.

Há leis e regras que devem ser respeitadas e mensuradas para que todos possam usufruir do uso do solo público com coerência.

A praça de Ondina estava abandonada, largada, imunda, degradada e sendo utilizada por cidadãos corajosos que ali procuravam um espaço para lazer e banho de mar. Até então ninguém, ou a massa, se manifestaram publicamente para obras de reforma e/ou melhores condições e estrutura da praça.

Veio então a Prefeitura de Salvador e a reformou e, arbitrariamente, negociou parceria com empresários carnavalescos para utilização da praça na construção de camarotes privados.

Porém (sempre os poréns ... rsrs), essa energia dispensada à manifestação popular é momentânea ou se repercutirá durante todo ano para expor à todos os cidadãos quais os efeitos da festa do carnaval na capital baiana ?

Que é um incômodo a construção de camarotes na cidade, isso todos sabemos, pois nem ao espaço exclusivos dos passeios e calçadas temos o direito de utilizar enquanto as estruturas estão montadas.

Mas e o “depois” do carnaval ?

Essa nossa mania de problemas ou incômodos sazonais é que temos que mudar. Podemos e devemos visualizar o depois, o amanhã, os meses e anos seguintes.

O carnaval da Bahia atrai turistas do mundo todo ? Sim.

O carnaval da Bahia gera renda e empregos ? Sim.

O carnaval da Bahia é lucrativo ? Sim.

Mas e os cidadãos soteropolitanos que moram em Salvador, brincam ou não no carnaval, trabalham durante o ano todo, pagam seus impostos e usufruem dos serviços públicos, utilizam somente a Praça de Ondina como local de lazer ?

Já que as últimas manifestações e reivindicações são por melhorias na cidade e para melhor qualidade de vida dos cidadãos soteropolitanos e demais, acho justo exigir o respeito da prefeitura para oferecer serviços e estruturas dignas à população, mesmo que, em parceria com empresários do setor privado. Mas não só em momentos sazonais, como a exemplo do carnaval, e sim para necessidades diárias e constantes como manutenção e conservação do Elevador Lacerda, Estação de transbordo da Lapa, metrô, Estação ferroviária, UPAS e Hospitais, segurança pública, capacitação profissional e dignidade social aos professores, ciclovias, asfalto e iluminação pública e transporte público suficiente para a demanda nos horários de pico.

O foco deve ser visualizado além dos camarotes porque estes serão desmontados após o carnaval, mas se o foco ficar no carnaval, então sugiro reivindicar para uma necessária mudança de comportamento social de cada cidadão folião rico ou pobre, pois estes deixam de herança para Salvador, logo após o carnaval, surtos de conjuntivites, muita gravidez indesejada, lama de xixi em todos os cantos e muros da cidade, recém-nascidos abandonados no mês de novembro, praias imundas, proliferação de doenças sexualmente transmissíveis, monumentos depredados  e uma lista extensa de outros prejuízos.

Manifestar e reivindicar é preciso !

Mas com foco no amanhã. Nas necessidades básicas e na qualidade de vida.

Publicado em 17/01/2012 ás 11:05

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