Terça , 20 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Claudomiro Bispo
 

Por favor,no rebaixe tanto a nossa Bahia

Por favor, não rebaixe tanto a nossa Bahia. A Bahia que já foi berço da civilização brasileira, um celeiro de homens ilustres: Ruy Barbosa, Castro Alves entre tantos outros que engrandeceram nem somente a Bahia, o Brasil. Que saudade daquela época, que mesmo no regime forte, ecoavam algumas vozes, colocadas à disposição do povo brasileiro nos momentos difíceis. Vozes provenientes de presidentes das nossas instituições devidamente constituídas e organizadas, tais como, Barbosa Sobrinho presidente da ABI: se a fala era de Barbosa Sobrinho falou, tava falado; a fala do presidente da CNBB Dom Evaristo Arns, que a sua opinião nos momentos de dificuldades do Brasil, a palavra do pastor católico brasileiro, removia até “montanha”; a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, o seu presidente também quando opinava por alguns fatos que interessaram ao país, tinham peso.
 Hoje, infelizmente, as nossas instituições devidamente constituídas e organizadas, perderam as suas essências junto ao povo brasileiro. Estão caladas, e quando falam não têm grandes efeitos, pois, na sua maioria, estão inseridas no contexto político dos poderes da caneta. Até a justiça nos três níveis, que tem como símbolo “uma velha coroca com uma venda nos olhos”, justamente, para não vê quem era pobre ou rico, quem era preto ou branco, quem tinha dinheiro ou não, para julgar sem parcialidade. Enfim, a justiça além de cega, é tida como surda e muda., Hoje, já puseram uma lente de longo alcance na velhinha cega e ela já enxerga quem é o ladrão de "galinha” e quem é o ladrão de colarinho “branco”.

E a nossa Bahia


Na Bahia, mostra claramente um sintoma de inferioridade em relação aos estados do Rio de janeiro e de São Paulo. Basta observar a fraqueza do poder político no Congresso nacional, que apesar de termos bons parlamentares, mas na verdade é uma bancada “nanica”. Para ilustrar a inferioridade do nosso poder político em Brasília, o então ministro da Cultura o baiano Juca Ferreira, que substituiu o também baiano Gilberto Gil, em uma entrevista num evento cultural em São Francisco do Conde, para a imprensa da região, disse alto e em bom som, que a sua pasta, tinha um orçamento de um bilhão de reais. Oitocentos milhões eram destinados para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo e o duzentos milhões restantes eram para o resto do país. Enfim, deixou claro que não podia fazer muita coisa pela Bahia e tão pouco por São Francisco do conde.
 Outro ponto fraco da Bahia é visto, quando viajamos para os Estados Unidos, para tirar o passaporte, é preciso ir até a cidade de Recife.
 As operadoras de telefonia deita e rolam aqui na Bahia, quase nenhuma delas tem central de atendimento publico em Salvador. Quem precisar resolver um simples problema de conta de telefone terá que esquentar o juízo com secretárias eletrônicas.
 Outro fato que irrita os baianos é a falta de lisura ou de fiscalização de quem de direto nos serviços prestados pela concessionária da BR 324 – a Via Bahia, que todos os dias infernizam a paciência de milhares de motoristas, com a interdição de uma pista por mais de dez quilômetros, simplesmente com alegação de procedimentos de serviços de recuperação da pista, que na verdade, não passa de roçar matos e pintar a pista de asfalto. Pintura essa, que basta um dia de chuva para o produto virar “sonrrizal”. Os mesmos locais são interditados para novos concertos.  Parece até, que por aquela via não passa o deputado, o prefeito, o vereador, o juiz, o promotor, o desembargador, enfim, as autoridades constituídas do estado. Enquanto isso, a concessionária vai enchendo as “burras” de dinheiro e o usuário que se dane para chegar a tempo ao destino programado.
Apesar do Brasil ter sido descoberto na Bahia e ter sido a sede do Brasil Colônia e suas riquezas eram carreadas para Portugal, após a Independência do Brasil, encurtou-se apenas, à distância, as riquezas da Bahia passaram a ser carreadas para o Brasil central. Isso data desde ciclo da cana-de-açúcar e do petróleo. Basta lembrar, que o petróleo foi descoberto na Bahia, graças à teimosia de alguns geólogos brasileiros que insistiam na certeza que no Brasil tinha petróleo, contra a vontade do americano, que afirmava que no Brasil não havia o tal ouro negro em seu subsolo.
 Precisamente, na periferia de Salvador – no Lobato, casualmente, o ouro negro surgiu entre uma lama preta.  Estava descoberto o petróleo no Brasil. Porém, não deu resultados comercias. No entanto, no povoado de Candeias, 46 quilômetros de Salvador, jorrou pra valer o ouro negro em abundância e ali nascia o novo eldorado do Brasil, justamente, no regime forte do presidente Getúlio Vargas, que veio a Bahia conhecer o novo poço de petróleo, e, lembro-me muito bem, ainda garoto, vi o presidente Vargas por baixo das pernas dos seguranças que de mãos dadas faziam o cordão de isolamento para evitar o assédio popular, tirou um lenço do bolso, abaixar, melar de petróleo, beijar e depois colocar no bolso.


Veio o sucesso e a miséria veio atrás.


Candeias que era um distrito esquecido pelo município de Salvador, passou a ser uma localidade movimentada, com gente de toda parte do Brasil e de estrangeiros. Criou a Petrobras e mais tarde implantou a primeira Refinaria de petróleo da Petrobras no Brasil. O distrito, de vias estreitas encravadas no morro, passou a ser palco da presença de estrangeiros e brasileiros de todas as partes do Brasil. Progresso inevitável e a miséria veio atrás. Com as obras de construção da Refinaria de Mataripe e o contingente de trabalhadores na localidade, o cruzeiro virou moeda forte e passou a ser apelidado de “petrocuzeiro”. Foi criado até uma zona de fazer amor sem compromisso, aonde nasciam filhos de ninguém – o 24. Zona de prostituição.
O distrito virou município, empregos não faltavam, homens do campo, de mãos calejadas de calos pelo cabo da enxada, viraram petroleiro o comércio cresceu e a cidade inchou, porém, tinha açougues com carnes de primeira, carros pipas abasteciam as casas com água potável, logo, logo, aposentou os jegues que carregavam águas para vender nas residências. Uma escola técnica profissionalizante foi instalada de forma estratégica para atender aos jovens dos municípios de Candeias, Madre de Deus e São Francisco do Conde, porém, não apareceu uma liderança apaixonada pela terra, que aproveitasse essa superestrutura para criar infra-instrutora e colocar Candeias fazendo jus com a sua posição econômica no cenário baiano, que até hoje, mesmo ostentando o título de mãe do petróleo no Brasil – a Petrobras tornou-se uma filha ingrata, cresceu, ganhou o mundo e abandonou sua mãe adotiva.
Os deuses sempre foram generosos com Candeias, que produziu riquezas no ciclo do açúcar, mãe do petróleo do Brasil, possuir em seu território um parque industrial, centro comercial pujante com quatro agências bancárias de grandes bancos, colada com a refinaria de Mataripe, perto do Pólo industrial onde estar instalada a montadora Ford, o Porto de Aratu, mais o porto oferecido a custo 0800 para a Ford escoar seus produtos, vias de acessos privilegiados, dista apenas 46 quilômetros do Aeroporto Internacional Luiz Eduardo Magalhães, arrecadando mensalmente cerca de 12 milhões de reais por mês, com 54 anos de emancipada, ainda não conseguiu resolver seus cruciais problemas de saúde, educação, moradia e saneamento básico. Deve-se isso, a falta de uma liderança política apaixonada pela terra e agora, em outubro próximo, o povo vai escolher seu novo prefeito, tomara, que o escolhido seja um nome capaz de virar essa triste página da história de Candeias.  

 

Publicado em 14/06/2012 ás 23:19

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