Terça , 20 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Itana Mangieri
 

Sistema comercial eleitoral

 

Depois dessa enxurrada de promessas mirabolantes, teremos mais dois anos para digestão e amarguras sociais até a próxima campanha eleitoral.
Sinceramente, espero que as fortunas dispensadas aos marqueteiros sejam direcionadas para pesquisa e criação de novas e modernas estratégias de comunicação para conquistar o voto do eleitor, pois esse atual sistema de comunicação, com horário de propaganda eleitoral na TV e no rádio, santinhos sujando as ruas, cavaletes atrapalhando o espaço dos pedestres, carreatas congestionando o trânsito, carros de som ensurdecendo a população e faixas e pichações emporcalhando a cidade, já ultrapassou a tolerância e dignidade dos cidadãos.
Está mais do que na hora de atualizar e mudar a forma de se vender um candidato, pois até os circos evoluíram no método de reconquistar seu “respeitável público” !
Apesar de parecer um país democrático, o governo nos obriga a ceder um ou dois dias para obrigação eleitoral e inclui, no pacote capitalista, no mínimo dois meses de bombardeio de propagandas, ilusões, fichas sujas, mentiras e agressões morais dos candidatos, além de multas e limitações sociais caso não votemos ou justifiquemos o voto.
Quando vamos a uma loja, olhamos o produto na vitrine, entramos, analisamos, testamos, perguntamos preço, forma de pagamento, garantia, prazo de entrega e frete. Nesse sistema, o produto não nos agride jogando panfletos, santinhos ou gritando, ... E, caso o produto apresente defeito, não cumpra suas funções de acordo com as especificações do manual de instruções ou o fornecedor entregue um produto diferente do proposto, solicitamos a troca do mesmo ou acionamos um processo contra o fornecedor por propaganda enganosa e ressarcimento do valor pago.
Bem que poderíamos (cidadãos e eleitores) acionar o Governo contra os produtos defeituosos (candidatos) e seus fornecedores (partidos políticos). Porém ainda não existe um órgão público digno e eficiente (ministério) para mediar e punir tais ocorrências e, mesmo que houvesse, a demanda seria superior à capacidade de regulação pois é grande a produção de candidatos que surgem de procedências duvidosas e sem selo do Inmetro o que intensifica a promoção “vote em 1 e eleja a quadrilha toda”. Neste caso, o “Procon” do cidadão seria o “voto nulo” como garantia de troca do produto (candidato), mas esse capítulo foi excluído do manual de instruções.
Sugestão: como os candidatos garantem que não se “vendem” em campanhas eleitorais e em adesões partidárias, seria interessante testar uma zoo-campanha eleitoral para que os eleitores fossem visitá-los (expostos) em jaulas de um zoológico, num domingo de sol, analisá-los, oferecer-lhes comidas proibidas, estudar suas reações, comportamentos, respeito, barulhos, sujeiras, moscas e odores ao redor de seu habitat artificial para decidir doar democraticamente seu voto, ou não.
Texto: Itana Mangieri

Publicado em 30/10/2012 ás 23:41

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