Segunda , 19 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Átila Santana
 

O Negão se foi...

 Por motivos de força maior estive um pouco afastado dos trabalhos neste egrégio veículo de comunicação. Passadas as tempestades, e ainda a espera da bonança, volto à ‘baila’, falando de alguns dos de cujos de 2012. O Mundo, o Brasil e a Bahia perderam grandes nomes. Nomes estes que saíram da vida para entrar para a história. Hebe Camargo, Neil Armstrong (o primeiro homem a pisar na lua, segundo contam), Millôr Fernandes, Chico Anísio, Whitney Houston, Oscar Niemeyer, Marcos Paulo, Joelmir Betting, Wando, Dona Canô, Dona Tereza (minha avó) e Claudomiro Bispo dos Santos. Este último, mentor intelectual da Editora Jornal Folha do Recôncavo, Revista Leia e portal Folha do Recôncavo Online. Não poderia me furtar a falar deste que foi um homem reto, íntegro, sério, honesto, coerente e muito corajoso.

Trabalhou no extinto Jornal da Bahia e no ano de 1975, mais precisamente a 14 de agosto, fundou, em Candeias, o Jornal Folha do Recôncavo. 42 anos dedicados ao jornalismo. Fundar um jornal naquela época foi um ato de coragem desmedida, uma vez que a Bahia ainda estava sob os resquícios da Ditadura Militar, que banhou esta terra de sangue. Pois, a Folha nascia com o papel importante de levar ao conhecimento da população as mazelas de políticos baianos, que riam para as câmeras, abraçavam e davam tapinhas nos ombros, mas ‘metiam a faca’ nas costas do povo. Esse era o seu estilo. Não deixar a sujeira em baixo do tapete. As pessoas tinham medo até de sair às ruas em grupo, porque estariam sujeitas a possíveis sanções dos militares. Mas não foi na ditadura que o Negão, como era carinhosamente chamado pelos íntimos, sofreu com os acossamentos. Isso aconteceu mais recentemente. Claudomiro foi vítima de perseguições daqueles que queriam dobra-lo, e não conseguiam. O jeito que eles (esses políticos) encontraram foi a perseguição. Tentaram de todas as formas desqualificar o trabalho do jornalista. Mas isso não o intimidou.  Continuou firme. Sem meias verdades. Sem medo e sem segredos. Isso me conquistou. Virei fã do Negão. Uma vez ele me perguntou o que levava um garoto de 15 anos, na época, a perder horas conversando com um homem da idade dele, que só falava de política. Eu ri, e respondi: ‘conversar com você é beber água direto da fonte’. E assim foi. Eu saía de São Francisco do Conde pelo menos uma vez por semana e passava a tarde inteira com o velho ‘Clodô’. Passei a me interessar pelo jornalismo e quando completei maioridade comecei a escrever para a Folha. Quando virei radialista e ele me ouviu pela primeira vez (no rádio) fez questão de me ligar e dizer que “estou orgulhoso de você”.

Sempre dizia para os mais próximos que queria partir sem dar trabalho. Desejo atendido. Sofrera um infarto fulminante na praça de pedágio da Via Bahia, no distrito de Passagem dos Teixeira (BR-324), em Candeias, e nos deixou. Foi-se a matéria, mas ficaram muito boas lembranças para os que com ele conviveram. 

Publicado em 12/01/2013 ás 14:47

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