Quarta , 21 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Átila Santana
 

Um dia marcado por conquistas

 

Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Essas manifestações marcaram o início da Revolução de 1917. Entretanto a ideia de celebrar um dia da mulher já havia surgido desde os primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas de mulheres por melhores condições de vida e trabalho (vale a redundância), bem como pelo direito de voto.

 

A ideia da existência de um dia internacional da mulher surge na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial, quando ocorre a incorporação da mão de obra feminina, em massa, na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. Muitas manifestações ocorreram nos anos seguintes, em várias partes do mundo, destacando-se Nova IorqueBerlimViena (1911) e São Petersburgo (1913). Em vários Países o Dia Internacional Da Mulher vinha sendo comemorado em datas diferentes, por vários motivos, o que não quero relatar agora porque a história é muito longa. No Ocidente, a data foi comemorada durante as décadas de 1910 e 1920. Posteriormente, a data caiu no esquecimento e só foi recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960, sendo, afinal, adotado pelas Nações Unidas, em 1977.

 

A partir das mobilizações e das lutas ao longo desses anos, as mulheres passaram a ter grandes conquistas. Há 81 anos, mais precisamente a 24 de fevereiro de 1932, através do Decreto nº 21.076, do Palácio do Catete, as mulheres passaram a ter direito ao voto. A luta pelos direitos políticos das mulheres começou ainda no século XVIII, como relatei acima. As mulheres brasileiras conquistaram o direito de voto, mas ainda não conseguiram ser representadas adequadamente no Poder Legislativo. Até 1998 as mulheres eram minoria do eleitorado. A partir do ano 2000, passaram a ser maioria e, nas de 2010, já superavam os homens em 5 milhões de pessoas aptas a votar. Este superávit feminino tende a crescer. Contudo existem dúvidas sobre a possibilidade de as mulheres conseguirem apoio dos partidos para disputar as eleições em igualdade de condições.

 

Nas eleições de 1992 Lídice da Mata foi eleita a primeira prefeita da história de Salvador. Em 2008 foi a vez de Rilza Valentim ser eleita a primeira prefeita de São Francisco do Conde, no Recôncavo baiano. Nas eleições de 2010 os brasileiros conduziram uma mulher para, pela primeira vez, conduzir os destinos do País. Dilma Roulsseff sucedeu Luis Inácio Lula da Silva, o primeiro operário a governar este País. Ainda naquele ano Lídice foi eleita a primeira senadora da história da Bahia

 

No Brasil, por exemplo, já existe uma série de políticas públicas voltadas para a proteção e defesa da mulher. A Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, também conhecida como “Lei Maria da Penha”, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres e da Convenção Interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher, dispõe sobre a criação dos Juizados de violência doméstica e familiar contra a mulher, é um exemplo. É resultado das batalhas travadas durante todos esses anos, e representa a modernização do pensamento da sociedade em relação à mulher, que, historicamente, foi tida como um ser para ficar submissa ao homem e servi-lo nos afazeres da casa e no prazer sexual.

 

.As coisas estão mudando gradativamente. Isso mostra que a mobilização dessas bravas guerreiras não foi em vão. Oxalá continue assim.

 

 

Twitter.com/atilasantana

Publicado em 08/03/2013 ás 13:23

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