Terça , 20 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Jordan Campos
 

Fui TRADO (A)... E agora?

 Como prometi, vou discorrer sobre o assunto “traição, fidelidade e Cia”. Ancorado no recente caso da ex-dançarina Scheila Carvalho e de seu esposo Tony Salles, no qual este traiu a sua esposa assumidamente (fato que a “amante” deixou público) e, tendo a Scheila o perdoado da “escapada”, o que gerou muitas especulações, e até um post bem rico aqui no meu face, onde mais de 150 pessoas deixaram comentários diversos, vamos lá:

Mais do que comum, este é um dos assuntos dos mais recorrentes e explorados no meio terapêutico atual. Aqui em meu consultório não é diferente. E eu não poderia deixar de colocar aqui um pouco disso tudo. Desde uma aventura ou “desabafo instintivo”, até uma completa traição amorosa, vítimas e réus se estabelecem de forma rápida - culpados emergem - raiva, choro, desilusão e uma procura alucinante por um ponto de luz e entendimento. Afinal, existe fidelidade ou apensas “se está fiel”? Qual a diferença da traição masculina para a feminina? Até onde é uma traição realmente acontecendo? Beijo, sexo, sms, facebook, whats up...? Garotas e garotos de programa são uma traição, quando acionados? ( ??? ) Babado...

Entre as inúmeras polêmicas sobre o assunto, vou tentar me posicionar terapeuticamente, dizendo de antemão que quando isto acontece o casal deve assumir o problema sem colocar a culpa em terceiros como o caso do casal midiático. Nunca é culpa do(a) amante. Isso é tapar o sol com peneira e criar uma justificativa abismal e convencer a si mesmo de uma mentira enorme. Ouvir detalhes sobre a traição também só piora o processo de reconciliação e o torna quase impossível - um caminho sem volta na maioria das vezes. A dita “traição” é uma forma que a pessoa encontra para mostrar a sua indignação com o parceiro, com a relação ou com uma situação específica. São vários os motivos que podem levar à traição: carência, questão cultural, repetição de situações não resolvida dos pais, insatisfação em relação a desejos e expectativas do outro, vingança, busca pelo novo, “instinto desregulado”, síndromes patológicas, vício... Entre muitos outros. E na grande maioria das vezes não significa de cara falta de Amor, mas sim um grito de que algo está ocorrendo e precisa de reparo e atenção imediata. A manutenção do fato como rotina, sim, reflete-se em problema moral e talvez, desamor.

A traição, no entanto, é um problema do casal e não da terceira pessoa que surgiu no meio do relacionamento. Quando entra uma terceira pessoa é porque quase sempre o casal deu brechas e motivos, portanto, os dois são responsáveis. Pode parecer absurdo dizer que os dois são responsáveis, mas quando analisamos na sala de terapia, e digo isto com a experiência de centenas de casos já analisados profundamente, pode acreditar que em 80% destes, mesmo sem que as partes saibam claramente disso no início, os dois são responsáveis pela situação. Uma das partes dá o grito e é logo julgada de culpada, mas muitas vezes, foi a única opção de ataque ou defesa de complexos na relação que estão sufocantes. O casal tem que encarar a traição como um problema dos dois e não colocar a culpa, por exemplo, na sogra, nos vizinhos, nos parentes, naquela “gostosa da festa”, entre outros. Geralmente, a pessoa traída se coloca como vítima, mas, na verdade, é a maneira que ela encontra para tentar fugir de qualquer responsabilidade por aquele momento ruim do casal. Ela também não quer pensar e muito menos aceitar os motivos que levaram o parceiro à traição.

E então, existe o perdão da traição? Uhmm... A grande maioria das vítimas da traição acha que após o perdão vai ter o controle total sobre o parceiro, pois ela se sente poderosa e espera que o outro faça tudo que ela quer. É muito engraçado: a pessoa que perdoa a traição, na realidade, nunca esquece a história. Na primeira briga, ela joga na cara do outro e remove coisas do passado. Esse tipo de perdão não serve. A pessoa traída muitas vezes acha que precisa ser reconquistada pelo outro para poder dar, de fato, o verdadeiro perdão, mas os dois têm que se reconquistar, sem brigas e exigências (será possível?). Na grande parte dos casos este vidro quebrado nunca mais se recompõe totalmente. 

O verdadeiro perdão não chega depois de muita conversa, isso é uma mera ilusão de derrubar tijolinhos - Muitas pessoas gostam de ouvir detalhes de como foi traída e com quem foi. É uma grande besteira. A pessoa traída acha que isso vai aliviar a dor e ter armas para atacar o outro, mas só aumenta a revolta, porque ela começa a lembrar daquela viagem que o companheiro fez “sozinho” no fim de semana, daquela noite que ele disse que dormiu na casa da mãe, daqueles dias de longas horas extras no trabalho, enfim, a pessoa traída fica mais apreensiva e cheia de dúvidas se perguntando: Ela é melhor do que eu no que? Isso só piora o processo de reconciliação. A melhor maneira de retomar um relacionamento que passou por uma traição é ambos mostrarem maturidade e aceitar o problema como sendo somente dos dois. Aquele que traiu tem que se arrepender. A pessoa que foi traída também tem que abrir o coração e aceitar o fato. Se houve traição é porque alguma coisa não estava legal, portanto, eles precisam descobrir juntos o que está faltando. Para se obter a verdadeira reconciliação, acima de tudo, é preciso que haja amor. Caso não tenha mais amor, a separação é o melhor caminho. Cada um deve seguir a sua vida e buscar a felicidade. 

O bem da verdade é que todo mundo uma hora já foi traído: sua mãe foi, sua tia querida foi, sua melhor amiga foi, seu pai por alguém também foi, você é ou será, e até quem lhe traiu corre o risco de ser. Que atire a primeira pedra quem nunca passou por isso! Desabafe, chore... mas não repita inúmeras vezes o ocorrido e nem interpele todas as criaturas que aparecem na sua frente como se você precisasse despejar o fato como modo de aliviar a dor. As pessoas geralmente são assim, elas acabam contando e refletindo inúmeras vezes sobre o mesmo fato, o problema é que muitas perdem o limite e perdem a noção que isso deve ser apenas por dias, apenas dias - meses e anos não... nunca!!! A moral maior de quem com maturidade encara o fato é que, às vezes, quando se perde, ganha: ganha um amor renovado, sincero, pois amar de verdade é conhecer todos os ‘defeitos’ do parceiro e mesmo assim insistir em amar a criatura. Mas só não traia a você mesmo com lições de moral hipócritas e clichês. E mesmo nos momentos piores da vida, precisamos ter em mente que todas as situações ruins trazem com esse sofrimento, o crescimento. Eu acredito sim em fidelidade e ingredientes como diálogo, sexo e admiração são um tripé fundamental para não entrar no roll dos traídos. Homens são genitais e precisam “esvaziar o saco”, e podem sim aprender a fazer isso em casa e de outra forma; mulheres são emocionais e precisam de toque, riso, harmonia e feedbak. Todos têm que se sentir satisfeitos. Cuidado para aqueles que dão de mais numa relação - isso faz com que quem não consegue dar tanto se sinta inferior e procure estabelecer contato com outra pessoa para se sentir “comunicado e hierarquicamente compatível” – aí já viu né? Não adianta cercar e cercar... Você pode controlar a pessoa por 24 horas todos os dias, mas no dia que não vigiar a saidinha para tomar um cafezinho, seu parceiro vai se atracar com a moça do café, e nem é por nada – só para desabafar este big brother todo que você o submeteu. E entenda – você nunca vai estar na mente do outro – se pudesse ler pensamento não estabeleceria nenhuma relação. 

E diga-me: O que é a vida sem experiências? Então, passei um pouco aqui da minha visão terapêutica e de homem nisso tudo. E lembrando que só quem morre de chifre é o toureiro destreinado.

Publicado em 20/08/2013 ás 13:04

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