Quinta , 23 de Novembro de 2017
 
Coluna de Jolivaldo Freitas
 

Mdicos sem perder a ternura

 Pode acreditar: a chegada dos médicos cubanos vai render muito pano para manga. Enquanto o pessoal do governo recebeu as primeiras levas com flores e afagos, vai bastar que comecem a exercer suas funções para que sejam admoestados e boicotados pelos colegas e enfermeiros numa outra espécie de xenofobia. O preconceito existe também na área científica e médica. O corporativismo é enraizado e cultural – mesmo num país onde os erros médicos geram hoje mais de 1.2000 processos na Justiça, movidos somente pela Associação das Vítimas de Erros Médicos.

 
A guerrilha começou por parte do Conselho Federal de Medicina que vem impondo sérias restrições para o exercício da profissão por parte dos cubanos. Alega-se que eles não estão preparados para exercer a medicina nos moldes brasileiros. Já os cubanos chegaram pisando forte, vez que são considerados como dos melhores do mundo, apesar das sérias ressalvas que sofrem em modernidade tecnológica por causa do embargo permanente dos Estados Unidos. Eles afirmaram que chegam ajudar na Medicina brasileira e dar adjutório para as populações onde os médicos nativos não querem pôr os pés.
 
Cuba tem a tradição de exportar médicos desde os anos 70 do século passado. Eles estão em Angola, Rússia, Venezuela e diversos outros países da África e da América Latina e também no Oriente Médio. Os médicos cubanos estão acostumados a ir onde ninguém quer ir. No Brasil a situação é bizarra e o resultado pífio do Projeto Mais Médicos mostra a realidade: ninguém quer sujar seus jalecos no pó do sertão, na lama do Amazonas ou nas savanas do Mato Grosso.
 
Querem orla. Regiões metropolitanas coladas ao Atlântico. Lembro que assumindo o marketing político numa eleição em cidade do interior que está entre as cinco maiores da Bahia, vi que o prefeito construiu hospital e postos de saúde. Mas o projeto pifou quando mesmo com edital só apareceram três médicos. Dois baianos e um paulista. Um dos baianos se mandou em menos de um mês de trabalho. Deu saudade da praia.

Publicado em 09/09/2013 ás 11:55

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