Segunda , 19 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Átila Santana
 

E agora, muda em que?

Uma imprensa marrom divulgava exacerbadamente uma insatisfação do povo brasileiro com o Mundial de 2014, com os gastos elevados em obras. Dizia que o Brasil não queria Copa. Queria saúde, educação, segurança, etc., etc., etc. Durante a Copa das Confederações o Brasil e o mundo viram os muitos casos de protestos recheados de vandalismo que tomaram conta do País. Um ano depois, a estrutura administrativa do Estado se “armou” contra um possível replay desses acontecimentos e botou as Forças Armadas nas ruas, reforçando a segurança, com medo de que as terras descobertas por Cabral fosse palco, mais uma vez, vale a redundância, do que vimos em 2013.

Iniciou-se a partida de abertura da Copa e os ânimos mudaram de uma hora para a outra. A imprensa passou a mostrar um povo feliz, receptivo e esperançoso. As pessoas enfeitaram residência, ruas e automóveis com as cores da seleção brasileira, e os problemas, antes reverberados aos ventos, pareciam terem sidos mitigados de uma hora para a outra. O que se percebia era a alegria das pessoas com os jogos e com jogadores, que eram tidos como deuses, a exemplo de Neymar, que em determinados momentos conseguiu ser maior do que o time brasileiro. Mas, de repente tudo mudou. Uma joelhada e uma vértebra fraturada tiraram o atacante da disputa. As pessoas se desesperaram e não escondiam a angústia. Diziam que sem o garoto o time anfitrião não tinha chance. Ledo engano. Desde a sua entrada, a seleção chegou a jogar seis partidas sem ele, vencendo cinco delas. Na semifinal acontece o óbvio ululante. O Brasil pega a temida Alemanha, que teve uma vitória acachapante. 7 a 1. Será que a “estrela” teria condição de fazer sete gols para desempatar? Duvido. Acabou-se o que era doce. As imagens do contentamento brasileiro deu lugar às imagens de dor e consternação. Voltamos àqueles mesmos discursos de que deveríamos ter investido em educação, saúde, segurança e blá-blá-blá. Causou-me estranheza as críticas nas redes sociais. Pessoas que horas antes faziam postagens positivas começaram a postar coisas, como ”nem a fábrica da Volkswagen (que é alemã) faz 5 gols em 30 minutos”, “liguei a TV pra assistir ao jogo e estava passando filme pornô. Alemanha f****** o Brasil” e muito mais. Ainda tivemos alguns compatriotas comemorando a derrota, como se isso fosse um grande feito. O que ganha com isto? Nada. Já que tem vergonha de ser brasileiro, arrume as malas e mete o pé. O Brasil agradece. Nós precisamos de gente com energia positiva. De aves de mal agouro já basta. Essa turma do “quanto pior melhor” não ajuda em nada. Vale ressaltar as palavras de David Luiz, que, sob prantos, pediu desculpas à Nação pelo fracasso. O semblante de tristeza do povo brasileiro estava estampado na cara do zagueiro.

Eu não gosto de futebol e nem sou torcedor. Aliás, nunca chutei uma bola. Mas sou brasileiro e queria muito que o meu País saísse vitorioso, com o “caneco” na mão. Mas, infelizmente não aconteceu. Perdemos. E isso muda em que a minha vida? Em nada. Ou eu estudo e trabalho para comer ou morro de fome. Os jogadores estão todos com as contas recheadas, ganhando ou perdendo. E o povão tem que ralar, se não quiser morrer de fome. Bola pra frente. E vamos tentar o hexa, mais uma vez. Em 2018.

 

Publicado em 09/07/2014 ás 10:45

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