Domingo , 23 de Abril de 2017
 
Coluna de Jolivaldo Freitas
 

Vereador: esse desconhecido

No início do mês a Ouvidoria da Câmara Municipal de Salvador decidiu fazer do nada uma enquete com parcela variada dos soteropolitanos para saber se os indigitados sabiam – nem precisava ser de cor e salteado – qual é mesmo a serventia dos vereadores. Não foi uma pesquisa tipo Ibope ou Datafolha. Foi algo até certo ponto informal, pois foi feita na tora com quem ia passando na hora da Praça Municipal. Pegava pelo braço e só saia depois de responder.

Claro que não podia dar outra coisa e somente o pessoal da Câmara estava inocente. O que se viu na capital serve justinho aí para qualquer cidade baiana ou brasileira, para qualquer município.

A maioria, 43 por cento dos entrevistados, disse que não sabia para que serve o edil. Interessante é dos 124 entrevistados, 16 por cento responderam que sabiam, sim, só que os sabidos citaram atividades que não são conexas ao papel dos vereadores. Mas erraram no atacado e acertaram no varejo, eu acho, e você meu caro, minha caríssima, vossa excelência, podem achar até que estou errado. E já vá adiscurpando!

O povo que se confundiu disse que o trabalho do parlamentar municipal vem a ser a execução direta e imediata de serviços públicos em bairros – que todos sabem é um trabalho calhado ao Executivo. Mas, não é que em épocas de eleição é o vereador que sai à cata de quem pegue o lixo, faça uma contenção ou mande vir a água e faça o posto de saúde funcionar. Tem até vereador que no desespero do voto até bate uma laje. Portanto os entrevistados que erraram... acertaram. Se é que me faço entender.

Eles também dizem que o trabalho do vereador é assegurar ações assistencialistas para cidadãos. Erraram. Mas acertaram. Qual o vereador que sendo médico não arruma um remédio de verme amostra grátis para o eleitor. Um tarja preta para o doidnho da casa de um eleitor. Se for dentista, não faz clareamento, canal ou tira tártaro, mas que arranca o dente, arranca. Se der, pode até sair uma dentadura de plástico. Falo isso porque tem eleitor exigente que quer dente de porcelana alemã. Já viu!

E os entrevistados também erraram quando dizem que a função da vereança é conseguir emprego (pra quem não disseram). Erraram? Erraram! Mas, acertaram no lado prático, pois todos sabem que vereador dá emprego, consegue um lugar num ponto qualquer do serviço público e se não fizer assim vai perder o apoio do líder do bairro e os votos seguem para outros que atendem aos anseios e pedidos. É a vida. É a ditadura do povo e a maldição do voto que sempre é incerto.

Para quem realmente quer saber qual a essência da atividade do vereador, a Câmara informa e tem um manual que diz:  

Segundo a legislação vigente, existem quatro principais funções exercidas pelos vereadores. A legislativa, que inclui elaborar, discutir e votar os projetos de lei; a fiscalizadora, que prevê o poder e dever de fiscalizar a administração, a aplicação dos recursos e a observância do orçamento; o assessoramento ao Executivo, que engloba as atividades parlamentares de apoio e de discussão das políticas públicas que serão implantadas por programas governamentais; e a julgadora, com a função de apreciação das contas públicas dos administradores e apuração de infrações político-administrativas por parte do prefeito e de outros vereadores.

Entendeu inocente? Mas não custa nada ir lá no vereador que você elegeu – lembra o nome dele? A cara dele? nem eu! – pedir que ajude a conseguir transferir seu filho para uma escola mais perto de casa. Talvez conseguir um empreguinho de terceirizado numa secretaria. Furar a fila para uma cirurgia de um parente; e aquele alvará complicado? ou mesmo pegar um vale que a situação está difícil para todos (sem trocadilho). Embora você já vá sabendo que não é obrigação dele. Mas não custa. Um adjutoriizinho de nada, doutor.

Publicado em 29/10/2014 ás 13:13

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