Terça , 20 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Jordan Campos
 

Cuidado com seu LADO IRNICO. Entendendo como acontecem algumas tragdias

Hoje o mundo entrou em choque quando foi anunciado que a queda do avião alemão que matou 150 pessoas foi feita propositalmente pelo copiloto Andreas Lubitz, de 28 anos. Ele aproveitou a saída do piloto da cabine para ir ao sanitário, trancou a porta por dentro e acionou a descida automática do avião. Gravações registraram o pânico do piloto batendo na porta, o grito dos tripulantes e a respiração tranquila do copiloto na cabine (aparelhos que medem a frequência respiratória mostram que o copiloto estava com “frequência acordada” e sem nenhum sinal de desmaio ou problema de saúde). O A320 da Germanwings se espatifou a 700mk/h nos Alpes franceses, de propósito.

Suicídio ou homicídio intencional? Um ato louco? Tudo ao mesmo tempo? Mas como assim, podemos ficar loucos sem deixar pistas anteriores? Um evento espiritual? (...) Estas são algumas das perguntas que ouvimos no dia de hoje, após esta confirmação trágica. O que pode ter acontecido na mente deste copiloto? Vamos tentar falar algo sobre isso.

O nosso cérebro não pensa. Ele apenas lê o que está na nossa mente e executa. Nosso cérebro é a parte física do nosso computador. Nossa mente são os programas e softwares que dão vida ao computador. O conjunto cérebro + mente = eu e você. A pergunta a ser respondida sobre a tragédia tem que averiguar qual dos dois sistemas falhou. O cérebro (computador) ou a mente (programas). Fazendo uma analogia com nossos notebooks sabemos que um defeito na placa mãe, uma queda, água que entrou... Pode afetar o sistema e fazer com que não consigamos ler os programas. Por exemplo... Imagine que você está com uma apresentação do power point aberta na tela e vai mostrar para alguém. No caminho você tropeça e cai. O que estava na tela some e você não consegue mais visualizar. O power point sumiu? Não. Ele continua alí dentro e intacto, apenas a parte física não consegue mais ler o mesmo. Ou seja – nosso físico pode por alguma circunstância “ler” errado o nosso programa mental e falhar. Nos dias atuais o que faz nosso cérebro falhar a comunicação com a mente são: stress, alimentação, medicamentos, drogas, pouco sono, traumas, etc. (...) Agora vamos pensar o contrário – que a mente conseguiu invadir o cérebro – isso na computação acontece quando entram vírus no nossos sistema, quando somos hackeados, ou quando deixamos o computador aberto e alguém instala algo lá. Estes softwares que carregamos hoje vêm de nossos pais (baixamos este download ainda na barriga de nossas mães), das primeiras experiências na nossa infância e de um tipo de “personalidade congênita”. Ok, explicado isso?

Ocorre que nós temos dentro de nossa mente o que vou chamar aqui de “zona das sombras” ou “lado irônico”. Este lado sombrio e irônico é nosso. É aquele momento de raiva que você pensa em matar a outra pessoa, mas não faz. Aquele momento em que você quer fazer sexo com todo mundo, mesmo casado, mas não faz (Deus tá vendo). Nossa mente irônica está sempre ali, mas é barrada por um mecanismo do cérebro que vamos chamar de “zona de controle” que fica no hemisfério esquerdo de nossa massa cinzenta. Enquanto um lado induz, o outro raciocina rápido e decide. Se não tivéssemos esta “zona de controle” seríamos quase que selvagens. Existem doenças que “desligam” esta zona de controle ou a enfraquecem muito. É o caso dos transtornos compulsivos, TOC, esquizofrenia, bipolaridade, psicopatia e surtos por drogas, álcool, radiação ou medicamentos. Por isso quando você “toma uma” fica mais “soltinho” e corajoso... Pois o álcool anestesia a “zona do controle” e deixa a sombra passar. E pagamos micos com estas situações. Não foi a cachaça que fez você dar em cima da mulher do outro naquela festa – ela apenas desligou a sua zona de controle e você fez o que já queria fazer.

O que aconteceu naquele avião pode ser entendido, primariamente por esta explicação. O cérebro do jovem copiloto Andreas Lubitz, por algum motivo não conseguiu acionar a “zona de controle” e o “diabinho” do lado da sombra que sugestionou fazer um avião cair tomou conta. Talvez ele tenha sempre pensado naquilo, mas seu sistema sempre desligava. Incrível, pois o sistema de defesa do copiloto se manteve desligado até o fim, conforme mostra a análise de sua respiração sem alteração. Um tipo de torpor tomou conta dele e paralisou sua defesa de agir em prol da própria vida e de outros. O que fez isso acontecer? Talvez nunca saibamos. Medicamentos, drogas, alto stress, etc. Não era conhecido nenhum histórico de patologias psíquicas mais visíveis. Chamo aqui a atenção para termos muito cuidado com nossa “zona de proteção”, pois estamos vivendo uma Era de reatividade extrema e alto stress. Podemos em questão de minutos ou segundos ter nosso sistema desligado e isso pode custar nossa vida e a de muitos. Que tenhamos cuidado com nossa qualidade de vida, alimentação, sono e possamos ter o cérebro como um amigo e a mente mais limpa possível de ironias e energias invasoras. O copiloto com certeza já havia pensado nisso antes, devia ter uma sombra muito forte e algum fator desligou. É muito difícil um profissional piloto passar despercebido nos inúmeros testes psicológicos. Não me lembro de um relato em que um piloto de avião comercial era um terrorista. Ainda mais na Europa que o sistema é mais rígido ainda.

Longe de querer justificar qualquer ato deste piloto, este texto é uma reflexão de um dos maiores males da nossa atualidade – a falta de conhecimento sobre nossa mente, ao mesmo tempo em que ela é bombardeada a cada instantes por infinitos estímulos. Tranque seu diabinho na garrafa e o mantenha por lá.

Jordan Campos é terapeuta transpessoal clínico, escritor, conferencista e músico.

 

Publicado em 04/04/2015 ás 17:22

Leia Também
 

 
 
 
Empresa de Editorao de Jornais e Revistas Ltda-Me Todos os Direitos Reservados.
Rua do Pass, n 114, Andar 1, Centro- CEP: 43.805-090
Candeias - BA
Fone: 71- 3601-9220 / 71- 98633-1278 /
Email: folhareconcavo@gmail.com