Quarta , 21 de Fevereiro de 2018
 
Coluna de Jordan Campos
 

Abrindo o jogo sobre Relacionamentos, Expectativas e "Amor"

O mito do amor romântico e suas vertentes práticas neste mundo sempre me chamaram a atenção. Eu sou um romântico nato, desde cedo desenvolvi em mim um amor platônico - foi minha primeira forma de conduzir isso - depois fui aprender que Platão deveria comer alguém também, que aquela de 'princesa encantada' era uma furada eacabei beijando o sapo. Caraca... me lembro de estar com febre de paixão aos 6 anos... seria eu muito precoce?! Acho inclusive que minha primeira experiência de beijo, que foi bastante visceral, e não foi o 'sapo' dito ainda, contribuiu para reforçar que o que eu queria era sempre possível. Meu primeiro beijo foi aos 6 anos de idade. Ela tinha 22 anos e era uma loira muito bonita. Na época não estava tão na moda esta coisa de pedofilia e passamos em branco. Eu era um 'bebê johnson' e a mulé caiu na minha lábia com 6 anos!!! Putz.

Na adolescência, enquanto meus colegas aproveitavam as provas aos sábados no colegial para se iniciarem em bordéis, eu preferia fazer poesias e tocar meu violão... Minha iniciação não poderia ser assim, visceral e paga!!! Jamais... E eu levava muita fama de tudo e mais ainda por isso, e nunca estive nem aí, de fato.
Estou construindo o que vou falar adiante sob este alicerce introdutório para que eu me faça entender "de onde vim", e por que acho o que acho hoje.

Eu ficava então nessa de estar louco de paixão e que amar significava isso. Descobri com o tempo que quanto mais seguro de si você puder estar, menos é a chance de suas pernas te levarem ao chão quando você encarar sua paixão. Claro que todos nós queremos uma paixão arrebatadora... e por mais que esta seja um impulso químico cerebral também, isso não é absolutamente garantia de nada. Quantas vezes aquela paixão insana acabou como pegar sorvete na geladeira? Na verdade inúmeras pessoas que podem não te deixar sem fôlego à primeira vista, podem te inspirar por uma vida inteira. Há uma diferença entre querer uma pessoa parceira e uma pessoa que te complete. No primeiro caso isso se chama maturidade e no segundo um indicador que ainda precisa de bagagem prática em relacionamentos.

Sabia que estudos já indicaram que os casados fazem mais sexo que os solteiros, que os casados têm mais idéias financeiras e saúde??? Claro que quando seu parceiro não é despirocado. A crença de que a monogamia reduz o Ser é um conceito estreito e sexual. Se alguém tem como objetivo o melhor do sexo deveria pensar em se casar, o inverso é uma cilada.

Depois precisei combater a concepção de que eu e a pessoa da minha vida deveríamos ter muito em comum, metades da mesma laranja. A melhor coisa de uma união é ter um outro ponto de vista. Tudo o que se precisa ser é da mesma espécie, rsrsr. O algo em comum deixe para as grandes decisões, como ter filhos, por exemplo. Mas, mesmo que você seja uma pessoa cínica que gosta de fatos e a outra pessoa uma libertária capaz de argumentar que a inexistência de provas não prova a inexistência de algo, não há razão para que vocês não possam ser felizes. Pessoas muito parecidas se sufocam, esta é a verdade.

E sobre aquele caso de a pessoa ter que ser perfeita? Ihhh... muita gente desiste de relacionamentos bacanas e promissores por acharem que estão nas Lojas Bahia comprando uma brastemp. Na verdade eu ví na prática, que as pessoas ficam muito mais em dúvida de seus parceiros pelo que os outros pensam dele e não pelo que elas mesmas acham da sua escolha. Em verdade, em verdade o que deveria se avaliar é que se na hora que o 'bicho pegar' e os problemas surgirem a pessoa vai estar ao seu lado. Quando o dinheiro faltar e os exames relatarem que algo não vai bem com você... a pessoa vai fincar os pés no chão ou vai 'comprar cigarro na esquina' e sumir?

Bem, é isso... E quando pintar a rotina tente beijar com toda a raiva da semana e fazer uma ponte ao paraíso. Entenda que sapos podem até viram príncipes, mas cachorros não! E jamais chore por alguém que deixou você, o próximo pode justamente se apaixonar pelo seu sorriso.

Jordan Campos é terapeuta, escritor, conferencista e músico
www.jordancampos.com.br

Publicado em 05/05/2015 ás 18:53

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