Domingo , 23 de Julho de 2017
 
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Publicada em 02 de Maro de 2017 ás 11:44:49

AMORES QUE PARTEM...

Foto: Reproduo

 Por que dói tanto uma separação?

 

Por: Agostinho Costa (Poeta, graduado em Letras)

 

 

Não existe falta, não existe passado, desafiei até o vento por ti. Carreguei as montanhas para ti fazer feliz, o azul do céu só tem sentido se estou contigo, já fiz muitas loucuras por você, faria outras tantas novamente. As esquinas, as ruas, já me dão bom dia ao passar por tanto que já ouviram eu falando teu nome. Fecho os meus olhos e vejo o meu mundo, meus sonhos, percebo que uma lágrima insiste em lamber meu rosto, sinto o calor do seu corpo que deixou em mim, seu toque, sua saliva, sua existência, tudo ainda faz parte de mim. Com essa introdução nada peculiar, hoje trago APENAS MEU OLHAR para os amores que se vão.

Descendo as escadas da vida me deparo com a solidão, as lágrimas sorrateiramente banham meu olhar tristonho e perdido. Nego admitir que não mais faz parte de mim, doce engano, sei que vai passar, não sei quando, mais vai; tenho que me agarrar a alguma coisa, chega de gritar seu nome para aliviar minha dor. Afinal, vivo me perguntando até onde minha solidão me seguirá? O complicado que os degraus dessa escada não me levam a lugar nenhum, ou se me levam é para um fim de um começo de uma batalha travada por mim e meus sentimentos.Me vejo como um feto rejeitado e jogado num turbilhão negro, matéria de um jornal velho que o vento levou. Entretanto,são poucas, mas, ainda existem forças em mim para recomeçar.

Por que dói tanto uma separação? Poderia apenas ser como um sorvete num dia de calor que chupamos com gosto, mas, sabemos que temos que ser rápido, caso contrário, ele derreterá, detalhe:O seu sabor fica em nossa boca por pouco tempo, logo depois comeremos algo, e não mais existirá a lembrança daquele sorvete. Então, por que com a separação não poderia ser assim?Martha Medeiros em uma de suas crônicas diz: “Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, (...) mas o que mais dói é saudade”. Sugiro ler Martha Medeiros.

Neste momento ao escrever veem as lembranças dos meus amores que se foram, as palavras saltam de minha boca, por mais que não queira, ainda falo e como os seus nomes, porém, em seguida vomito. Sou daqueles que se apaixona de cara, faço tudo, não vejo defeito, levo água no cesto, mas também quando digo chega, há meu jovem! O mundo todo pode dizer o contrário, mesmo assim, não me convencerá, já era. Tiro, ou melhor, arranco, extraio, deleto, expurgo de minha vida. Detalhe, não sou daqueles que diz que não foi feliz comigo desejo que seja feliz em outras relações, nada! Quero mais que sofra, passe maus bocados, seja infeliz para sempre. A quem diga que isso seja falta de evolução, pois que seja, não posso dizer que quero que seja feliz quando meu coração fala o contrário, quando desejo o oposto, quando almejo também que seja desprezado(a), e que passe por tudo e mais um pouco que me fez passar. Sei que tenho muito que evoluir espiritualmente, mas, até que isso não aconteça, ajo assim. Embora, sei também que muitos que leem este texto pensam da mesma forma, claro, também existem outros que perdoam, e desejam que a pessoa seja feliz nos próximos relacionamentos. Confesso que não consigo.

É difícil você saber que um dia aquelas mãos que tanto lhe acariciaram, são as mesmas  que lhe deram adeus. E o que ficou? Nada. Ou melhor: Seus pedaços no chão, pedaços esses que você não os reconhecem mais, afinal, não importa nada que diga, seu mundo está em ruínas. Existe apenas uma lembrança que o amor já lhe habitou, porém, você naquele momento é uma arvore seca, uma alma dilacerada, um grito sem eco, uma noiva abandonada na porta da igreja, as lantejoulas do vestido da cafetina cansada da vida fácil. Aí você me pergunta se eu perdoou? Se eu quero que seja feliz? Como posso? Ainda existe uma ferida não cicatrizada no meu peito, tal como, fruta de mandacaru que os sabiás bicam para saciar sua fome e as deixam marcadas até cair daquele pé espinhento o que remete minha vida. O que me resta nisso tudo é: Esvaziar meu pote vasto de ódio e calar a minha vingança em outras bocas, até que tudo volte ao normal. Normal??? (Risos)

 

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