Quinta , 23 de Novembro de 2017
 
Variedades
Publicada em 02 de Julho de 2017 ás 16:00:35

VIVA, VIVA AO BRASIL!!!

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 Pernas e braços que correm sem destinos, uma nação que repudia seus filhos...

 

Por: Agostinho Costa (Escritor, Poeta, graduado em Letras)

 

Pegadas no tempo, clamor de uma nação, página virada, alma dilacerada, felicidade corrompida, lâmpada queimada, pratos quebrados, gente com fome, choro ao relento, sol que queima as mentes dos inocentes, desamor a uma nação. Paredes rabiscadas alegando ser arte, palavras (palavrões) gritados ao vento, pés que conduzem ao nada, sociedade ambígua, fim ou início da escuridão? Choro sem consolo, sorrisos desdentados, métodos ultrapassados, nada que faz nada - nada no mar das incertezas. Ignorância exaltada, inteligência rejeitada, pais amargurados e lamentando a morte dos filhos, justiça inoperante, política medíocre, políticos medíocres, país sem dono, drogas no poder - em todos os sentidos. Aqui sentado estou, olhando tudo pelo retrovisor das minhas próprias desordens e me questionando: Até quando? Hoje APENAS UM OLHAR cutuca um assunto, que desperta um turbilhão de sentimentos na nossa sociedade.

Pernas e braços que correm sem destinos, uma nação que repudia seus filhos, que não aceita que vivamos bem ou no mínimo dignamente, sinceramente o mundo está sombrio. Ouço som de trovões, será trovão ou tiroteios? Vejo crianças que ainda ousam desafiar o medo e sair às ruas para brincar, ao mesmo instante que me choco com outras tantas morrendo nas ruas e com a esperança cravada nos dentes, sinceramente, o sonho terminou. Queria subir ao céu, beijar a face de Deus, ouvi os cantos dos querubins, porém, o que ouço são cânticos de abutres: Votem em mim! Votem em mim! No meu peito um código de barra, fico triste ao saber que não passo de mera mercadoria fácil, que vivo de pão e circo. Realmente queria voltar ao útero de minha mãe, peito sangrando, mas o que quero é leite. Enfim, já dizia Machado de Assis “Lágrimas não são argumentos”. Então, engulo meu choro, mas ele fica preso na minha garganta.

Uma sociedade gritando, implorando por justiça! E ela (Justiça) nada, nada nas praias de Angra e Búzios, quando não, está andando de jatinho fazendo compras em Nova York. Enquanto isso, o povo perde a cada dia sua dignidade, servindo para muitos de massa de manobra, afinal, eles dão o peixe, mas, não querem ensinar o povo a pescar para que continuem dependendo de um “prato raso” de comida e continuem exaltando o que se dizem salvadores da pátria. Já dizia Friedrich Nietzsche “Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo”, fato!

Não levanto bandeiras de partidos, sou apenas um brasileiro, nordestino, desconhecido, um rosto sem brilho, todavia, amo esse chão, e trago no peito um amor pelo mandacaru essa planta espinhosa, nossa flor do sertão, que gosta do sol -  nação que deixa seus idosos a sós, planta de fruto saboroso, na boca da nação escorre fel... Mata! Mata! Mata! Mata minha fome. Tenho meu pé furado de espinhos e peito chorando por causa de uma nação preconceituosa que rejeita os seus. Sou um cabra do mato, pobre, conheço bem mandacaru, e não reconheço a nação que diz ser minha mãe e me abandonou. No entanto, meu gado me conhece e meu mandacaru é verde vida e mata a fome do meu gado, e a nação? Nada! Nesse momento vem em mente uma canção de Zé Ramalho na qual ele diz:

O povo foge da ignorância, apesar de viver tão perto dela(...) demoram-se na beira da entrada, e passam a contar o que sobrou(...) Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, povo feliz...

O problema já não é dormir, e sim acordar e dar de cara com o mundo, telefono para a sociedade corrompida, ela atende, mas, não me ouve. Escuto no fundo do palco risos incessantes, minhas mãos brigam entre si para o ápice final, tento resisti -  não consigo! Sou apenas um corpo devorado pelas chamas de uma sociedade, um problema regado de cheiros das flores do campo, entretanto, isso não ocultará o mau cheiro que exala de mim, sou povo, tenho problemas. Esse Brasil, menino levado, roubando goiaba no quintal do vizinho? Puxa moleque, vem fazer o dever de casa, faz tua casa, grita: É minha nação!!! Nação que nada, eu tomo genérico, sou feliz, assisto às novelas da Globo, Viva! Viva Brasil.

 

 

 

 

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