Terça , 19 de Setembro de 2017
 
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Publicada em 16 de Julho de 2017 ás 15:23:42

Por que não RESPEITAR???

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“Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim”... PARA TUDO!!!

Por: Agostinho Costa (Escritor, Poeta e graduado em Letras)

Olhos cor de anil, rosto vultuoso. Você saberia uma fórmula mágica para mudar o passado ou o futuro? Não quero saber as horas, queria que a terra me devorasse, sou um incompreendido(a), não tenho medo da morte, afinal, já sou ela pra alguns. Queria ver estrelas! Na correnteza da vida, vou levando a minha dor. Ando numa mão dupla, choro o que se foi o que tiraram de mim, o que virá. Voo no bico do bem-te-vi, porque cortaram minhas asas para me punir, olhos cor de anil choram, boca grita, mas, se negam a ouvir. No escuro e vazio d’alma, só me resta a dor da incompreensão. Durmo, acordo e nada mudou, então, permanecerei acordado, afinal, a vida me dá pouco para o muito que espero. Olhos cor de anil voltam a chorar.

Depois de muitos pedidos não tive como negar esse desafio, lembro que não tenho total conhecimento, todavia, trarei APENAS UM OLHAR para um tema polêmico que é identidade de Gênero.

Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim”... Para, para tudo!! Vamos começar desconstruindo essa belíssima letra do nosso grande compositor, Dorival Caymmi, vamos escrevê-la assim: Eu nasci assim, eu cresci assim, NÃO!! Não serei sempre assim, porque me descobri e me nego continuar a sofrer com esse corpo que não me identifica. Os psicólogos definem a identidade de gênero como o modo como o indivíduo se identifica com o seu gênero. Em suma, representa como a pessoa se reconhece: homem, mulher, ambos ou nenhum dos gêneros.

Logo, enquanto pessoa, cristã, bom filho, amigo dos meus amigos, não poderia deixar de exercer um dos mandamentos de Deus: Amar ao próximo como a mim mesmo. Isso não quer dizer que não discorde de algumas atitudes, conduta, etc, porém, entendo que nesse âmbito o que tenho e devo fazer é respeitar as diferenças, o outro. Afinal, a cada indivíduo foi lhe dado o livre arbítrio, não posso exercer o papel que a mim não foi dado, que é o de juiz, esse papel compete ao pai maior, mas, entendo também se Ele diz que é para eu amar meu próximo, então, como seguidor Dele, não devo desobedecê-lo. No mínimo fazendo isso estaria seguindo as suas ordens, ou então, meu discurso estaria indo de encontro como os seus ensinamentos.

Tem momentos que o que essas pessoas mais querem é se tornar invisíveis para que os olhos alheios não consigam enxerga-las, assim, estariam livres de julgamentos e desrespeitos. Não consigo entender porque ainda existem seres que acham que estão acima do bem e do mal, quando na verdade o mais assertivo era andar de mãos dadas com respeito e a tolerância. Não levanto discursos ultrapassados por muitos, mas, quero colocar algumas pulgas da inquietação em alguns para que reflitam que sempre vale a pena sermos honestos com os outros, e assim, não permitir que nosso ódio ou falta de conhecimento os venham a ferir. Elas estão entre nós, isso não as tornam nem piores nem melhores, temos que apenas respeitá-las e saber lidar com o diferente.

Marquei um encontro com o meu EU Mas ele não veio, chuva molha o meu rosto meu corpo treme, meu coração aquece e o meu EU não vem. Alimento meu estresse, afinal, consigo marcar encontro com todo mundo menos com meu EU. Sou um síndico de um prédio em construção. Sou um ausente num corpo presente, tento reagir, não tenho forças, vivo meu descontrole da insensatez, a lucidez me desequilibra, meu inconsciente se prostitui, meu EU não mora mais em mim. Estou nos jornais, nos Outdoors, esquecido nas prateleiras, por favor, devolvam o meu EU. Preciso encontrar meu EU para que assim, possamos viver em paz. Então ficarei aqui sentando nessa rua escura esperando o passar do tempo e na certeza que um dia ele chegará, e assim, não viverei apenas no acaso dos dias lúdicos. Isso nada mais é, que um clamor de várias vozes incompreendidas e descriminadas pela sociedade que acha ter o direito do julgamento e se nega a respeitar as diferenças.

 

E assim sigo meu caminho andando e catando as letras e me esmerando para com elas construir palavras, depois frases e dizer algo. Mas a única frase que consigo construir nesse caminho de letras é: Pai, perdão por tanta ignorância e falta de amor ao próximo, não sou eu quem falo, é a dor dessas pessoas.

Agostinho Costa

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