Quinta , 14 de Dezembro de 2017
 
Variedades
Publicada em 24 de Setembro de 2017 ás 19:50:00

À ESPERA DO AGORA!!!

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 Por que não aproveitei? Por que não falei tudo que hoje empata em até balbuciar seu nome?

 

Por: Agostinho Costa

(Escritor, Poeta - graduado em Letras)

 

Dor de um peito que sangra, alma dilacerada, silêncio inatingível, dias lúdicos se acabaram; dores incessantes,palavras abafadas pelo tempo, olhos que alcançam o indesejável, sofrimento permanente num corpo de menino, dor de uma vida, crueldade sem explicação.No peito e na alma, um fogo que devora, queima invisivelmente,sangue que escorre dos olhos de uma criança ao ver o seu futuro, futuro?Flor despetalada, tragédia da vida! Olhos mornos, olhos que não mais ocultam a dor deum simregado de não, peito sangra, vida mal presenteada,o cristal se quebrou. Hoje APENAS UM OLHAR, não trará um olhar, e sim um cântico de dor.

O que me resta é esperar e nessa espera vejo o tempo escorrendo entre os meus dedos como se fosse areia e nada posso fazer a não ser sentar e observar o pouco que me resta, se é que resta vida lá fora. Meu corpo todo dói! Meus olhos já não mais reagem, me toco e não me sinto, então me questiono: O que restou de mim? Uma voz atrás da cabeceira sussurra: Um corpo febril à espera do último pulsar. E o que pulsa? Nada! Confesso que queria sair, ir ao parque, ver estrelas, sentir o vento acariciar minha pele, porém, não consigo enxergar brilho em mais nada, sou um rabisco de um simulacro em preto e branco. Meu olhar triste e perdido, apenas ver vultos nesse quarto. Meu único desejo é dormir, descansar, afinal, o tempo fugiu de mim, a vida não mais adentra meus poros, logo, sofro. Sofro tanto que nem mais consigo lembrar de quem amei ou amava. Será que alguém vem me ver hoje? Gostaria que não, queria apenas a companhia dos monstros que perturbam minha mente. Talvez eu seja apenas hoje, ou amanhã uma lembrança súbita em mentes vazias, outalvez nem seja.

Por que não aproveitei tudo enquanto tinha tempo? Por que não falei tudo que hoje empata em até balbuciar seu nome? Por que deixei o meu pote de ódio, rancor e vaidade encher sem que ao menos o quebrasse na primeira esquina? Por que estou só? Será que estou só? Por que essa noite não finda? Por que só ouço cânticos dos carcarás? Sinto cada letra presa dentro de mim, isso me dói por nãoas ter transformadas em frases e dito em momentos oportunos. Sinto falta de um abraço, estou só, queria levantar daqui e fugir, no entanto, o fim está próximo. Quero colo, quero dengo, quero uma mão acariciando minha cabeça, quero uma mão segurando a minha.

Labirintos se formam dentro de mim, meus devaneios e desatinos, folhas secas jogadas ao vento, saberia dizer o porquê do esquecimento? Sou um barco navegando à procura de um porto, seria um porto de uma alma suplicante? O mar caminha sem direção,pegadas na areia que o destino deixou. Quero apenas ser livre! Queria que essa cortina de fumaça que impede meu olhar, se espalhasse no ar. Todavia, estou amarrado a essas correntes invisíveis. Por favor venha logo e me tira daqui. Como dizia meu poeta predileto – Fernando Pessoa: “Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou,(...) Pois breve é toda vida o instante é o arremedo de uma coisa perdida”.

Me calo, calo-me.

Folha do Reconcavo

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