Sexta , 15 de Dezembro de 2017
 
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Publicada em 26 de Novembro de 2017 ás 22:18:23

FOTOGRAFIAS DE UM TEMPO QUE PASSOU!!!

internet

 Prefiro a mentira e a frustração, a verdade é insuportável.

 

Por: Agostinho Costa

(Escritor e Poeta)

 

Pensei que o tempo tinha parado, aqueles dias lúdicos, sua expressão de felicidade, corpo brasa viva, suor doce; até quando bocejava, dizia sim, será? Os primeiros tempos acabaram, como entender o que não tem explicação? Eu temia o inevitável, culpa dessa minha inércia, será que um dia me perdoo? Neste trânsito louco da vida, ando na contramão, não sei onde parar, quando olho pra trás, choro. Choro saudade, choro lembranças, choro prazer, choro minha vida que passou, choro você. Fecho meus olhos, e vejo os seus me dizendo: vem! Me nego, meu coração ainda está partido. Sinto um abraço frio. Enfim, prefiro a mentira e a frustração, a verdade é insuportável. Com essa introdução introspectiva o APENAS UM OLHAR visita nossas memórias.

 

Vejo no canto da sala em cima de um móvel velho, um papel rabiscado, me aproximo, nele está escrito: FUTURO! Me afasto lentamente, pego minhas fotografias e saio. Pessoas como eu não podem e nem devem pensar no futuro, pois o futuro ofusca nossos olhos. Percebo que nelas tem uma história, mas não as reconheço.

Por que vejo minhas fotografias e não me reconheço? Quando alguém me pergunta como foi minha infância, sinto dificuldade em responder. Olho por cima dos meu ombros e o que vejo – se é que vejo, são fotos que não me representam. Às vezes me sinto engolindo uma navalha quando vejo minhas fotografias. Masco meu nome e arroto fel. Confesso que preferiria mergulhar no caldeirão do diabo a ficar preso a essas lembranças pérfidas.

Vejo meu rosto estampado em todos os jornais e Outdoor, daí, surgem algumas inquietações: O que fiz? O que acrescentei no meu mundo? Perguntas que não consigo degustar, porque elas tem sabor de nada. O que percebo disso tudo é que acabo sempre despertando o pior de mim, por isso, não culpo ninguém, nem tão pouco a mim. Quantas vezes quis ir e fui impedido, depois vem o choro, diria: Lágrimas em vão, afinal, começo a perceber que já não mais sou eu que falo e sim a minha dor. Costumo andar em linha reta, porém, desviando do mundo, das coisas, dos olhares, da minha própria sombra, de você.

Por que essa escuridão cobre meus olhos e não permite que eu veja minhas fotografias? Aqui parado, vejo o tempo passar correndo, logo, só resta atravessar o imaginário e chegar a lugar nenhum. Quando a luz se apaga o choro é inevitável. Por que estou do seu lado e mesmo assim, você se sente só? Por que tantas fotografias e não me reconheço? Então só me resta uma pergunta: Por que ainda guardo esse álbum? Insisto em olhar para essas imagens frias, entretanto, não sei se o mundo é pouco ou muito para mim, só sei que Apenas quero sair... respirar ar poluído, aspirar bastante óleo diesel, fumar as chaminés numa noite fria, rabiscar as paredes brancas de tua alma, deixar de comer terra e beber água suja, quero apenas ser um homem imperfeito, me tornar uma mulher da zona, um louco à procura do seu eu perdido, da minha imagem que não mais existe. Porém, quero de novo a morte com sua lâmina afiada arrancando tudo de mim, me deixando só, talvez não esteja só, ouço vozes, cânticos, retratos despedaçados de pessoas que não as reconheço. Enfim, será o fim? Não! Afinal, sou um escritor, posso senti o que não vivi, sofre o que não sofri, posso até ser um deus nesse mundo insano.

No entanto, tudo passa! A vida passa, as páginas passam, as gargalhadas se perdem no espaço, as lembranças findam, todavia, a minha imagem fria, insiste em ficar nessa fotografia. Sugiro guardá-las na gaveta, pois com o passar do tempo só restará vultos, porque o tempo é tão perverso que fará elas perderem a cor, a nitidez, daí, só restará um papel sem imagem alguma. Logo, sugiro que as destrua, ou as coloquem debaixo de uma pedra, lá estarei em paz.

Enfim: “Você sabe que está no caminho certo quando perde o interesse de olhar para trás, rever as fotografias empoeiradas”.

Folha do Reconcavo

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